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Os 4 caminhos que Portas deixa a Cristas (traduzidos)

12 de Março de 2016 15:01
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Os 4 caminhos que Portas deixa a Cristas (traduzidos)

Paulo Portas deixou a liderança com o discurso que não podia fazer enquanto presidente. Deixou caminho aberto a Cristas e 4 diferenças a separar CDS e PSD. Temas: banca, Carlos Costa, Angola e Europa.

Foi entre lágrimas que Paulo Portas fez o seu último discurso como líder do CDS, e com um aplauso enorme dos congressistas. Mas foi a intervenção mais livre dos últimos anos (pelo menos desde a crise do "irrevogável" que Portas deixou caminhos abertos a Assunção Cristas que deixou o palco.

Pedindo o apoio do congresso à nova líder, sugerindo mesmo que não se discutissem lugares e mais as ideias, Paulo Portas sublinhou 4 "alertas" que são muito mais do que isso - serão, na prática, quatro diferenças de pensamento face ao PSD, que (fosse Portas o líder) marcariam distâncias face à coligação que acabou. E que podem marcar uma diferença face ao discurso oficial do PSD nesta altura, por onde os centristas comandados por Cristas podem tentar fazer caminho.

1. "A Europa está a viver um dos seus piores momentos", disse Portas. Falou da crise com a Rússia, da guerra na síria, do "terrorismo, que está onde nunca pensámos vê-lo", também do referendo que aí vem no Reino Unido ("que Thatcher nunca quis fazer e que pode abrir caixa de pandora das nações que ficam e saem"). Aconselhou aproximação à Rússia e à China", mas sobretudo aconselhou a direita europeia que pense nos "limites da tecnocracia", nas consequências dos "dificeis processos de consolidação". Para Portas, os partidos do PPE devem pensar mais do "défice de competitividade". E, portanto, menos nos objetivos orçamentos.

2. Da Europa para o setor financeiro, Portas assumiu a sua preocupação com o que se passa na banca portuguesa. Criticou a opção do BCE pela consolidação, até fusão de bancos ibéricos. Lamentou que a troika não tivesse trazido dinheiro suficiente para "reestruturar o sistema financeiro". Também a necessidade de financiamento das empresas portuguesas. E sugeriu ao BCE: "Tenham sentido estratégico na reestruturação sistema financeiro" português. Porque, diz Portas, é indesejável" que tudo acabe "com Espanha de um lado e CGD de outro". Para ele, o ideal é ter "grupos privados portugueses robustos para poderem candidatar-se", por exemplo, à compra do Novo Banco.

3. Agora sobre Carlos Costa, que passou a alvo. "Acho que uma resolução é melhor que nacionalização. Mas é preciso acrescentar que faltou supervisão". "O Banco de Portugal continua a falhar", atirou o líder demissionário, para concluir: "Aceitei apenas e só porque estávamos em pleno processo de venda do Novo Banco. Processo que ainda não acabou. Há alturas em que é preciso perguntar-se a si próprio se é parte da solução ou do problema." Claro que isto quer dizer que, para Portas, Carlos Costa devia sair. Resta o apoio do PSD.

Paulo Portas fez questão de sublinhar que nada disto é "pressão" sobre a nova liderança, agora que ele sai. Mas as suas palavras encaixaram na sugestão de Luís Nobre Guedes, na entrevista TSF deste sábado, para que o novo CDS encontre quatro bandeiras que o afastem do PSD. Neste caso, em quase todos os pontos, acabam por aproximar o discurso no partido do de António Costa - e de Marcelo, que recebeu um enorme elogio de Portas pela maneira como se afirmou "como independente".

A "geringonça" também mereceu muitas críticas, claro está. Sobretudo PCP e BE. Mas também o PS, por (diz Portas) estar a colocar Portugal em zona de risco numa altura em que a instabilidade é ainda grande fora de portas.

Ficou, pelo caminho, um elogio a Passos Coelho. E uma expectativa: de que a partir de agora "o que conta é quem consegue mais votos" depois das eleições. Leia-se, o voto útil não vai mais prejudicar o CDS. Leia-se também: o CDS, no fim do dia, terá sempre como aliado o PSD.

E quanto ao próprio Portas? "Fazer especulações a seis meses é no mínimo atrevimento".

Fonte: tsf.pt

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