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A Igreja, a pedofilia e o celibato

25 de Agosto de 2018 5:57
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Uma Igreja séria avaliaria o impacto do celibato no comportamento dos padres abusadores e tiraria daí consequências.

Queremos muito, muito mais. Pedir perdão pode ser duro e humilhante, mas não faz com que a Igreja realmente saia da sua zona de conforto. Todas as missas começam pelo reconhecimento de que somos pecadores – já sabemos, muito obrigado, que os homens e a Igreja fizeram, fazem e farão coisas horríveis. É próprio da sua natureza. Aquilo que me parece imprescindível é que a Igreja discuta o que manifestamente não quer discutir, e que arranje forma de responder a estas perguntas essenciais: existe, ou não, uma relação entre celibato e pedofilia? O voto de castidade, conjuntamente com o voto de obediência, potenciou ou não a tremenda tragédia do abuso de crianças, ainda por cima maioritariamente rapazes, o que é uma anomalia estatística (fora da Igreja, os menores abusados são maioritariamente de sexo feminino)? A obrigatoriedade de abstinência sexual numa Igreja liderada em exclusivo por homens que exercem o seu magistério de forma largamente solitária contribuiu, ou não, para a massificação da criminalidade sexual no seio do clero?

Pedidos de perdão oriundos do Vaticano já ouvi muitos. Respostas a estas questões não ouvi uma única. A última carta do Papa Francisco pode ser muito humilde e sentida, mas sobre isto diz zero – reconhece apenas que o número de “clérigos ou pessoas consagradas” envolvidas em abusos é “notável”. Mas porque é que é “notável”? Essa é a pergunta a que a Igreja não se atreve a responder. A que se deve este número absurdo de padres abusadores, que têm feito mais pelo ateísmo no mundo do que as obras completas de Karl Marx? Há paralelos com outras Igrejas? Os protestantes, os ortodoxos, os muçulmanos, os budistas têm a mesma incidência de comportamentos pedófilos no seio do seu clero?

Fonte: publico.pt

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