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Barroso na Goldman Sachs para mitigar efeito do Brexit

9 de Julho de 2016 1:01
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Barroso na Goldman Sachs para mitigar efeito do Brexit

Durão Barroso saiu da Comissão Europeia há mais de um ano e meio a dizer que "o futuro a Deus pertence". O seu acabou por passar pela alta finança e pelo meio académico. O ex-primeiro-ministro desempenha mais de 23 cargos em entidades públicas ou privadas (ver infografia), incluindo o que foi conhecido ontem: presidente não-executivo do Goldman Sachs Internacional e consultor da empresa-mãe.

O próprio Durão Barroso (que o DN tentou sem êxito contactar) explicou, em declarações ao Finantial Times, que foi contratado para "mitigar os efeitos negativos" da decisão de saída do Reino Unido da União Europeia.

Durão Barroso admitiu conhecer bem "a realidade da União Europeia e também a conjuntura no Reino Unido", dizendo que "se o meu conselho pode ser útil nesta circunstância eu estou pronto para contribuir, é claro."

O ex-primeiro-ministro português admitiu, no entanto, que nem ele sabe "exatamente o que vai ser o resultado final das negociações", mas defende que "em ambos os lados será inteligente e sensato ter uma negociação justa". E acrescenta:"Ninguém ganha a partir de um confronto."

O Goldman Sachs é o maior banco de investimento do mundo e já foi acusado de ser responsável pela crise das dívidas soberanas na Europa, a mesma que foi o grande travão durante os anos em que Barroso presidiu à comissão (2004-2014).

O DN falou com fonte da Goldman Sachs é bom para a empresa, porque Durão Barroso pode dar um grande contributo e bom para Portugal que haja um português neste lugar de topo". Até porque, lembra a mesma fonte, "é um dos bancos que tem uma posição mais dominante na compra de dívida pública portuguesa. Só este ano, mais de mil milhões."

Pouco depois de a notícia ser dada pela TSF e pelo Expresso, os copresidentes executivos da Goldman Sachs International (GSI), Michael Sherwood e Richard Gnodde, enviaram uma nota à agência Lusa onde explicaram que Durão Barroso "traz muitos conhecimentos e experiência" ao banco de investimento, para o qual foi nomeado presidente não executivo.

As mais-valias destacadas é o conhecimento "profundo da Europa", revelando os mesmos administradores que estão "ansiosos por trabalhar com Barroso".

Os mesmos administradores acrescentaram que "a perspetiva, capacidade de avaliação e aconselhamento" de Barroso "irão acrescentar muito valor ao Conselho de Administração da Goldman Sachs International, à Goldman Sachs, aos seus acionistas e trabalhadores." Saiu igualmente um comunidado do gigante de Wall Street a confirmar a contratação.

O pelouro da gestão do Brexit vai ser assim a função do consultor Barroso. É relevante o facto da "londrina" Goldman Sachs International (subsidiária da empresa-mãe, com sede nos EUA) ter sido um dos maiores apoiantes da campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia, doando 500 mil libras (585 mil euros) à campanha pela permanência.

Desde que saiu da Comissão Europeia Durão Barroso já tinha acumulado -até outubro de 2015 e de acordo com uma análise feita pelo Corporate Europe Observatory - 22 cargos em entidades, embora a maioria fossem não renumerados ou pro bono.

Há também cargos que alargam a rede de influência e o mantém em contacto com as grandes empresas e os grandes líderes mundiais. Desde logo, é membro do comité que dirige o grupo de Bilderberg.

Curiosamente, há três semanas, Barroso esteve na reunião do grupo, que se realizou de 9 a 12 de junho na Alemanha, com o seu colega de Comité Diretor de Bilderberg e administrador da Goldman Sachs, James A. Jonhnson, da Jonhnson Capital Partners. Barroso vai também encontrar na empresa o seu amigo e ex-ministro José Luis Arnaut.

Há vários anos que a Goldman tem como cliente o Estado português, inclusivamente durante o executivo de Durão Barroso. Entre fevereiro de 2004 e abril de 2005, o banco prestou consultoria financeira à Parpública (que gere as participações sociais do Estado).

A Goldman Sachs recebeu na altura 1,8 milhões de euros para ajudar o governo na primeira fase de privatizações da Galp e da EDP.

Quem falava com o governo em nome do banco era o então vice-presidente da Goldman Sachs International (foi entre 2000 e 2008), António Borges.

Em 2005, o governo socialista de José Sócrates não quis renovar os contratos com o Goldman e Borges acusou o ministro da economia Manuel Pinho de estar apenas a fazer uma vingança política. Borges foi mais tarde vice-presidente do PSD (entre 2008-2010) fazendo oposição ao PS de Sócrates, que entretanto (ver texto ao lado) já tinha contratado o Goldman para projetos como o TGV.

Quem protestou com estrondo a contrataço de Durão Barroso foi à esquerda. O líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, disse que a ida do português para a Goldman Sachs demonstra que "não há vergonha na elite europeia da qual Durão Barroso faz parte".

Também o dirigente do BE Jorge Costa acusa Barroso de se estar a "reciclar no gangsterismo financeiro global". A deputada Mariana Mórtágua diz que assim Durão "assume para quem esteve a trabalhar durante todo este tempo." O ex-deputado PS José Lello afirmou que Barroso "fez pela vidinha em Bruxelas e lá está ele a receber os juros!"

Fonte: dn.pt

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