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CDS à espera de mudar de estilo mas com o mesmo pragmatismo de Portas

12 de Março de 2016 7:35
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Dirigentes com mais autonomia, o mesmo pragmatismo nas propostas, um discurso mais abrangente e menos de nicho, e um diálogo preferencial com o PSD. Eis o perfil do CDS-PP que muitos dos dirigentes do “portismo” traçam para o futuro do partido, depois da liderança forte, longa e incontestada de Paulo Portas. Há diferenças de estilo, sim, mas ninguém antevê um “abanão” no CDS-PP com a nova presidente do partido. Assunção Cristas deverá ser eleita este domingo, no segundo dia do XXVI Congresso do partido que começa este sábado em Gondomar. O primeiro dia será marcado pela despedida de Paulo Portas.

No momento em que se aproxima o fim de 16 anos de liderança de Portas, os centristas já admitem que o funcionamento do partido estava centrado totalmente no presidente. Com “vantagens e desvantagens” como a futura líder reconhece. “Acho que comigo [os dirigentes] terão mais autonomia certamente. Depois pode haver um ou outro dissabor que podia ser evitado e não foi por não estar sempre em cima e acompanhar tudo do princípio ao fim”, afirma Assunção Cristas. Esta forma de funcionar mais descentralizada é uma das maiores diferenças que os dirigentes esperam ver na nova fase do partido. “O Paulo ouvia muito mas era solitário nas decisões. A Assunção vai ter mais team work”, afirma João Rebelo, que fez parte de direcções de Portas e que irá regressar aos órgãos do partido.

A opinião é partilhada por João Almeida, antigo secretário-geral de Paulo Portas. O modo de funcionar passará por ser mais “orgânico-formal” nas reuniões “regulares e mais visíveis” dos órgãos do partido. Portas “tratava das coisas em pequenos grupos e funcionava. E esta forma também pode funcionar”, afirma o ainda membro da Comissão Executiva, que não vê uma revolução à vista: “Não prevejo um abanão no partido, vejo uma transição perfeitamente estável”.

Para já sabe-se que Assunção Cristas está a preparar uma redução do número de vice-presidentes de sete para três. Estão confirmadas as saídas de Artur Lima (CDS/Açores) e de Teresa Caeiro.

A mudança na forma de funcionar pode vir ao encontro daquele que mais criticou a falta de institucionalismo interno – José Ribeiro e Castro. “Esta direcção é toda conivente com os desmandos no partido. O funcionamento medíocre dos órgãos foi inspirado pela personalidade forte de Paulo Portas. Tenho a expectativa de que seja diferente”, afirma o ex-líder do CDS-PP entre 2005 e 2007.

Empenhados em enaltecer a futura liderança, os centristas saúdam a diferença. “Pela personalidade e a liderança de Portas, o CDS será necessariamente diferente. E ainda bem. Estou convicto de que Assunção não cairá no erro de imitar Portas”, diz Nuno Magalhães, actual líder parlamentar. Mas, a avaliar pelas posições assumidas pela futura líder, o CDS-PP vai manter o seu lado pragmático e menos ideológico. Tal como Portas que “foi mais ideológico nos primeiros anos e mais pragmático nos últimos sete”, observa João Rebelo. O deputado vê Assunção manter a inspiração democrata-cristã, mas com um tom de discurso diferente: “será menos duro ou menos denunciador”.

E sem os chamados “nichos”. Muitos defendem que o CDS-PP não pode voltar a ser o partido “da lavoura”, “dos contribuintes” ou dos “pensionistas”. “A pressão do voto útil diminuiu. O CDS deve ter um discurso mais aberto para todos”, defende Diogo Feio, ainda vice-presidente e próximo de Assunção Cristas. Teresa Caeiro também sustenta que o CDS “não deve ser um partido de nichos” mas que “deve ter marcas muito próprias”. “Deve ser um partido de causas”, acrescenta Nuno Magalhães.

O CDS pode vir a abandonar os nichos mas já tem pelo menos um público-alvo: os eleitores que vivem nos subúrbios à volta de Lisboa, onde o partido teve resultados considerados interessantes em 2011. Esta estratégia nasceu da volta que Assunção Cristas fez pelo país na campanha interna da sua candidatura. Nestas zonas suburbanas ouviu a pergunta sobre qual é a mensagem que o CDS tem para estas pessoas? A resposta está a ser construída e pode mesmo influenciar a estratégia das autárquicas, um dos desafios eleitorais que está marcado para 2017. O partido poderá optar por ter mais candidaturas autónomas nos arredores de grandes centros urbanos. Nos últimos anos, o número de coligações autárquicas com o PSD subiu. “Provavelmente com a Assunção vai decrescer”, refere João Rebelo. Apesar de o CDS “ser muito parlamentar e assim irá continuar” – como nota João Almeida – o partido tem as cinco câmaras conquistadas sozinho em 2013 como fasquia. E isso coloca a preparação para as autárquicas como uma das prioridades da nova líder.

Fonte: publico.pt

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