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Greve paralisa transporte no Brasil, esvazia SP, mas governo minimiza atos

28 de Abril de 2017 22:57
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Greve paralisa transporte no Brasil, esvazia SP, mas governo minimiza atos

A greve geral contra as propostas do governo das reformas trabalhista e da Previdência parou cidades brasileiras nesta sexta-feira (28). Cruzaram os braços trabalhadores do transporte público, o que dificultou a mobilidade da população, e categorias como a dos bancários e dos professores.

São Paulo, a maior cidade do país, teve uma movimentação bem abaixo da média durante o dia. À noite, a polícia lançou bombas contra manifestantes e houve depredação em torno da passeata até a casa do presidente Michel Temer (PMDB). No Rio de Janeiro, a polícia reprimiu atos, e manifestantes incendiaram ônibus. O governo procurou minimizar a importância do movimento grevista.

Sindicatos, movimentos sociais e partidos de oposição afirmam que as propostas governistas de reformas retiram direitos dos trabalhadores ao alterar pontos da CLT (Consolidação das Lei do Trabalho) e endurecer as regras para a aposentadoria. Representantes das centrais sindicais exaltaram o movimento grevista e disseram que se tratou da maior paralisação do país em pelo menos 34 anos. A Força Sindical chegou a falar que 40 milhões de trabalhadores aderiram à greve no país.

Em entrevista ao UOL, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, criticou as paralisações, disse que elas foram "pontuais" e não sinalizou uma ampliação do diálogo a respeito das propostas. "Agora, verificar como esses fatos de hoje ocorreram, eu acho que vai encorajar, ao contrário de intimidar, vai encorajar os parlamentares a observar que a grande massa da sociedade está absolutamente de acordo com o que está acontecendo, com o que está ocorrendo", afirmou.

Os sindicalistas contestaram Serraglio e declararam que o movimento desta sexta reforçou a posição dos trabalhadores para negociar as propostas no Congresso.

"O governo não pode ser míope. Seria de bom tom reconhecer a disposição das pessoas em recusar as propostas", afirmou o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. "Fizemos a greve para fortalecer as negociações. Foi uma demonstração de várias categorias em todo o Brasil. Isso nos dá ânimo e nos ajuda nas negociações que virão no Senado e na Câmara dos Deputados. Acredito em mudança e que haverá bom senso por parte do governo no Congresso", acrescentou.

"Foi acima das expectativas [a greve]. O governo quer diminuir a importância. Estão temerosos", declarou o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, que também espera a abertura de um canal de negociação no Senado. As centrais sindicais, distanciadas durante o impeachment, aproximaram-se e articularam a greve. Seus dirigentes voltam a se encontrar no dia 4 para avaliar o cenário. "Não ocorrendo o diálogo [com o governo], vamos dar continuidade às paralisações", disse Patah.

Para o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, a greve geral desta sexta-feira "foi a maior que fizemos no período CUT [de 1983 para cá]. Mas não por quantidade só, mas também pela capacidade de discussão com a sociedade".

Freitas avalia que a adesão em todos os Estados, com o apoio das maiores entidades sindicais, se deu, principalmente, porque a sociedade concordou com os motivos que levaram à paralisação. "Tem uma estratégia de organizar a greve, a paralisação dos transportes e outras coisas, mas a população foi muito receptiva. Hoje ficou claro que as propostas de reformas que o Temer faz não têm apelo popular nenhum e que nós temos muita condição de impedir que elas aconteçam", afirma.

Para o economista Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), filiado ao PT, a greve desta sexta foi a maior da história, com "amplitude territorial" e diversificação de setores. Em sua opinião, a greve também é consequência do descrédito do governo, que não vem alcançando resultados substanciais na economia e tem baixa popularidade.

Pochmann criticou a reação de Serraglio. "Vivemos uma forte polarização, de dificuldade de entendimento, com uma força prevalecendo sobre a outra. A fala do ministro não contribui para a democracia. O governo trata a situação como se a população estivesse defendendo privilégios e fosse uma criança mimada que não aceita tomar remédio. Acaba negando a possibilidade de diálogo em vez de apaziguar."

Na avaliação do cientista político Milton Lahuerta, coordenador de laboratório de política e governo da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), a greve desta sexta pode abrir uma negociação no Congresso em torno das propostas, mas demonstra fragilidades do movimento sindical e da oposição.

"A greve revela a dificuldade dos setores sindicais de coordenar uma ação efetivamente de massa. Houve muita gente se manifestando, mas de maneira desorganizada, anárquica, com muita juventude", afirmou. "Foi uma expressão de indignação, uma tentativa da oposição de respirar. Mas ela ainda não apresenta uma alternativa sólida. Se não sair da mera denúncia, a revolta vai acabar se dissipando."

Com a adesão de outros trabalhadores, o movimento na cidade despencou. Mesmo em véspera de feriado, o trânsito estava lento em um trecho de apenas 3 km às 7h30, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Como comparação, no dia 15 de março --quando houve paralisação dos transportes públicos, mas sem greve geral--, a empresa municipal contabilizava, no mesmo horário, 124 km de lentidão, com pico de 201 km às 9h30 (o maior do ano até ali). O comércio também teve movimento reduzido.

Entre o fim da tarde e o começo da noite, dois grupos com milhares de manifestantes saíram em passeata do largo do Batata e da avenida Paulista, na zona oeste e na região central da cidade, respectivamente.

Os manifestantes que caminharam em direção à casa do presidente Temer, também na zona oeste, encontraram um bloqueio policial a cerca de 100 metros do imóvel e tentaram forçar um dos pontos da barreira.

A resposta veio com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Manifestantes --muitos encapuzados-- praticaram atos de vandalismo e atacaram pedras na direção da polícia. Também houve protestos em outras cidades do Estado, como Santos, no litoral, e Campinas, no interior.

Segundo o Centro de Operações, houve cerca de 70 km de congestionamentos, cifra 55% maior que a média do horário para as sextas. A interdição de maior impacto foi a da ponte Rio-Niterói, que ficou mais de uma hora bloqueada.

Metrô e trens funcionaram normalmente, mas os ônibus começaram o dia com frota reduzida.

Na zona sul, manifestantes ligados à CUT bloquearam vários acessos ao aeroporto Santos Dumont. Passageiros tiveram de descer dos carros e andar na chuva com malas devido aos impactos no trânsito. Houve pelo menos dois tumultos dentro aeroporto. Ônibus foram incendiados e depredados na cidade.

No centro, os bancos e parte das lojas não abriram as portas. Manifestantes e policiais militares entraram em confronto perto da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Mascarados se infiltraram no protesto de servidores do Estado e depredaram lojas da região. A polícia lançou bombas de efeito moral e disparou balas de borracha. Houve pânico e correria.

Agências bancárias e a estação Candelária do VLT, perto da avenida Presidente Vargas, foram destruídas. Grande parte das escolas particulares não funcionou. Na rede municipal de ensino, a paralisação foi parcial.

Cerca de 80% das escolas particulares e a totalidade das escolas públicas não funcionaram em Belo Horizonte, de acordo com estimativa dos sindicatos professores. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) ficou fechada. Na PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), a maioria das turmas não tiveram aula.

O metrô de Belo Horizonte não funcionou, deixando de transportar cerca de 210 mil usuários. Os ônibus circularam parcialmente. Na saúde, 48% das unidades de saúde do município aderiram à greve, de acordo com a prefeitura da capital mineira.

Por volta das 12h, milhares de manifestantes fecharam a praça Sete, a principal da capital mineira, na confluência da avenida Afonso Pena e Amazonas, nos dois sentidos. Na estimativa da CUT, 100 mil pessoas participaram do protesto, que transcorreu sem violência.

De acordo com a CUT, foram realizados mais de 60 atos de protestos no Estado de Minas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, as manifestações de apoio à greve fecharam 23 trechos de rodovias. Em diversos desses protestos houve queima de pneus e de pedaços de madeira. Em Belo Horizonte, dois ônibus foram incendiados. Outros três veículos tiveram os pneus furados e fios elétricos cortados em piquetes de rodoviários.

Na região metropolitana de Porto Alegre, os sistemas de transporte coletivo foram paralisados já na madrugada de sexta. Os trens, que transportam cerca de 300 mil pessoas diariamente, deixaram de circular na madrugada e não retomaram mais a operação. No sistema de ônibus, a adesão à greve foi total.

O transporte intermunicipal também foi afetado na região metropolitana, onde nenhum ônibus circulou durante o dia. Cerca de 400 mil pessoas que circulam entre as cidades do entorno de Porto Alegre foram afetadas.

Bancos, escolas públicas e privadas e serviços públicos não funcionaram em Porto Alegre e nas principais cidades do Estado. Segundo o Sindilojas de Porto Alegre, cerca de 30% dos estabelecimentos comerciais não abriram as portas.

Uma marcha com cerca de 20 mil pessoas percorreu as principais ruas da área central da capital gaúcha, o comércio fechou de vez as portas. A passeata foi o ponto alto da greve e surpreendeu até os organizadores. Não houve registro de agressões ou violência.

Ônibus não deixaram as garagens na madrugada desta sexta em Brasília. O Metrô ficou fechado. Manifestantes queimaram pneus no acesso ao aeroporto Juscelino Kubitscheck. Parte dos estabelecimentos comerciais também fechou. A Polícia Militar estimou em 2.900 o número de manifestantes por volta das 12h30 na Esplanada dos Ministérios.

Curitiba amanheceu sem transporte coletivo, limpeza urbana e com outros serviços, como escolas e unidades de saúde, em funcionamento parcial. Protestos foram registrados em vias importantes como a avenida das Torres, que leva ao aeroporto, e a rodovia BR-277, que liga Curitiba ao litoral.

Manifestantes se concentraram na praça Nossa Senhora de Salete e marcharam pelo centro de Curitiba. Os principais alvos das reclamações foram o governador Beto Richa (PSDB) e o presidente Temer. A Polícia Militar não registrou ocorrências na manifestação e estimou em 10 mil os participantes, enquanto os líderes do movimento afirmaram que o ato reuniu 30 mil pessoas. O interior do Paraná também teve bloqueios em estradas e passeatas.

A greve geral contou com adesões e atos em todas as nove capitais do Nordeste. Também houve manifestações em muitas cidades do interior. Em Recife, Salvador, Fortaleza, Aracaju, João Pessoa, Maceió e Natal, os rodoviários fizeram paralisação. Os trens urbanos também pararam nas capitais.

Houve bloqueio de rodovias e vias urbanas nos nove Estados. Em Natal, um homem foi baleado por um motorista que passou de carro por um protesto.

Em Manaus, a greve afetou serviços da Polícia Civil, rede bancária, escolas e outros setores da indústria. A paralisação começou ainda na madrugada com os rodoviários, que se recusaram a tirar das garagens parte da frota de ônibus. Durante o dia, segundo o sindicato dos rodoviários, foi mantida a frota mínima de 70% em horários de pico e de 50% nos demais horários.

Policiais Civis suspenderam as atividades externas por 24 horas. Durante a paralisação, 70% das delegacias ficaram paradas. Agências bancárias também ficaram fechadas.

Em Belém, escolas, bancos, delegacias e lojas fecharam. Houve diversos bloqueios em vias públicas e rodovias em Belém durante todo o dia. O trânsito ficou travado durante o dia com bloqueios de rodoviários. Por volta das 14h, 15 ônibus tiveram os pneus furados por manifestantes.

Trabalhadores rurais bloquearam a via que liga Belém ao interior do Estado. Manifestantes também interditaram a rodovia Transamazônica, no município de Uruará, na região sudoeste do Pará, e a rodovia PA-150, na região nordeste do Estado.

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Fonte: noticias.uol.com.br

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