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Inovação ajuda a evitar supressão de viagens no metro do Porto

13 de Dezembro de 2018 7:47
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Empresa juntou-se ao INESC TEC para projecto que permite antecipar ocorrência de algumas avarias nos veículos e programar a sua manutenção, sem interrupção do serviço.

Todos os utilizadores frequentes do Metro do Porto já se depararam, num dia qualquer, com uma avaria no veículo em que seguiam, que os obrigou a interromper a viagem e, eventualmente, esperar por outra viatura para seguir até ao destino. Os motivos para estas supressões podem ser vários, mas a empresa juntou-se ao INESC TEC, da Universidade do Porto, para um projecto que lhe vai permitir antecipar falhas e programar a manutenção de material circulante, evitando estes incómodos para os clientes.

Para já, o Failstoper vai estar atento ao sistema de ar comprimido, uma componente importante dos veículos responsável, por ano, por umas 200 a 300 supressões de serviços, somadas as avarias propriamente ditas e as viagens que não se fazem enquanto o veículo não é retirado da linha. Com um financiamento de cem mil euros da Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito do Programa de Ciência dos Dados e Inteligência Artificial na Administração Pública, o Failstopper segue um princípio básico: sensores vão dar conta do comportamento dos componentes associados a este sistema, aprendendo a predizer quando é que eles estão próximos de uma avaria. Que pode, desta forma, ser evitada, com uma manutenção programada.

A atenção ao ar comprimido pode parecer estranha para um leigo em comboios, mas a explicação de Pedro Mota Pereira, do Departamento de Exploração do Metro do Porto, ajuda a perceber a sua importância. Os veículos Eurotram que circulam nos troços mais urbanos da rede só conseguem manter a mesma altura do piso, alinhada com a da plataforma das estações, porque, quando seguem apinhados de gente, o ar é injectado para bolsas que, na prática, elevam a carroçaria. Por outro lado, para manter a aderência das rodas ao carril, em situação de chuva, por exemplo, o mesmo dispositivo “sopra” areia, contida num reservatório, para a frente dos rodados, de modo a gerar atrito.

Se qualquer uma destas funções falhar quando seria necessária a sua activação, o veículo pára e lá se vai uma viagem. Mas se o algoritmo do Failstopper for bem-sucedido, ele conseguirá alertar para a eminência de uma falha ou, quando o projecto estiver mais maturado, poderá dar a indicação de que ainda há uma janela de várias horas até a avaria se consumar. E ela pode ser provocada, por exemplo, por um tubo furado, com implicações na pressão do ar, que não impede, inicialmente o funcionamento do sistema, mas o obriga a funcionar com mais intensidade, para compensar. Antes que o furo se torne demasiado grande, o veículo já deverá estar nas oficinas. Evitando o incómodo dos clientes.

Pedro Mota Pereira explica que a lógica do Failstopper pode ser replicada a outros sistemas dos veículos, como os das portas, responsáveis, também, por avarias e supressões de viagens. Se for possível estabelecer um padrão de tempo para o abrir e fechar, e se os sensores conseguirem distinguir uma abertura repentina provocada por uma pessoa que se mete entre as portas de uma situação anómala, mas sem interferência humana, é possível antecipar um problema mais grave, evitando que este surja em pleno horário de operação. Um objectivo crítico para um sistema de mobilidade que, face aos custos dos veículos, tem uma frota com um uso intenso e dispõe de um número mínimo de viaturas parqueadas para fazer face a percalços repentinos.

A Metro do Porto conseguiu acrescentar mais um serviço por hora na Linha D, ou Amarela, no período de ponta da manhã. Desde 22 de Novembro, entre Gaia e o Hospital de São João, no Porto, há onze passagens por hora, em vez das dez que se efectuavam até esse momento, graças a alterações da sincronização entre o sistema de segurança instalado na linha e os semáforos da Avenida da República. Conseguindo que os cruzamentos existentes fechem ao trânsito automóvel durante menos tempo, para passagem do metropolitano de superfície, a empresa garantiu condições para acrescentar oferta a uma das linhas com maior pressão de procura, sem prejudicar a fluidez do trânsito nesta importante avenida de Gaia, explicou Pedro Mota Pereira, do Departamento de Exploração da Metro do Porto.

Fonte: publico.pt

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