A frieza do poder com tons de Shakespeare

28 de Fevereiro de 2015 0:05

4 0

A frieza do poder com tons de Shakespeare

A terceira temporada de “House of Cards” arranca hoje nos EUA e amanhã em Portugal. Clássico moderno com milhões de fãs.

Pérfido? Sim. Manipulador? Sem dúvida. Perigoso? Claro! Estas são só algumas das características do político Frank/Francis Underwood a que Kevin Spacey dá vida na série "House of Cards". Amanhã começa a terceira temporada e Wendy Schiller, professora de Ciência Política na Universidade de Brown, chamou-lhe "shakespeariana" em declarações ao "Daily Telegraph". Mas a crítica já aponta para perda de fulgor na história.

Há intriga, assassínios, traições, relações de fidelidade canina e conflitos permanentes nos bastidores da política à moda da América. "Não é acidental que seja Spacey, actor com muitos anos de Old Vic, a interpretar este papel", defendeu a docente ao referido diário. Afinal, como acontece em algumas das mais famosas peças representadas naquele teatro clássico, o enredo espelha "como o poder corrompe; como a ambição leva a certo ponto com alto preço e a parceria entre homem e mulher cria meios para chegar ao topo", comenta. Underwood não está sozinho no maquiavelismo rumo ao triunfo - a seu lado está a mulher, Claire, num desempenho notável de Robin Wright, a quem o próprio Spacey já classificou como "excelente Lady Macbeth" em mais uma aproximação a Shakespeare -, pois "desde o início que a ideia era ter um casamento de sucesso, residindo o maior fascínio no facto de se tornar mais forte por motivos não convencionais".

A série da Netflix é escrita por Beau Willimon, baseado num original da BBC nos anos 90 de David Andrews que nascera da obra de Michael Dobbs. Willimon, que esteve em campanhas de Hillary Clinton (tal como Jay Carson, consultor político da série), é o autor de "Farragut North", a peça que deu origem ao filme "Idos de Março", de e com George Clooney, tendo confessado ao jornal "The Telegraph", há cerca de um ano, que "não se trata de gostar dos personagens, mas é importante que sejam atraentes, não só do ponto de vista físico, também de modo a que sejam interessantes de seguir". Tendo Balzac como um dos autores preferidos, Beau Willimon diz que segue o seu exemplo quanto à criação de personagens "igualmente insidiosas".

Pérfido? Sim. Manipulador? Sem dúvida. Perigoso? Claro! Estas são só algumas das características do político Frank/Francis Underwood a que Kevin Spacey dá vida na série "House of Cards". Amanhã começa a terceira temporada e Wendy Schiller, professora de Ciência Política na Universidade de Brown, chamou-lhe "shakespeariana" em declarações ao "Daily Telegraph". Mas a crítica já aponta para perda de fulgor na história.

Há intriga, assassínios, traições, relações de fidelidade canina e conflitos permanentes nos bastidores da política à moda da América. "Não é acidental que seja Spacey, actor com muitos anos de Old Vic, a interpretar este papel", defendeu a docente ao referido diário. Afinal, como acontece em algumas das mais famosas peças representadas naquele teatro clássico, o enredo espelha "como o poder corrompe; como a ambição leva a certo ponto com alto preço e a parceria entre homem e mulher cria meios para chegar ao topo", comenta. Underwood não está sozinho no maquiavelismo rumo ao triunfo - a seu lado está a mulher, Claire, num desempenho notável de Robin Wright, a quem o próprio Spacey já classificou como "excelente Lady Macbeth" em mais uma aproximação a Shakespeare -, pois "desde o início que a ideia era ter um casamento de sucesso, residindo o maior fascínio no facto de se tornar mais forte por motivos não convencionais".

O que diz Obama

"É uma visão extrema da política e do poder", descreve Willimon, "um mundo em que todos devem estar disponíveis para os actos de matar - seja a facilitar a morte de um congressista, como na série, ou a enviar 100 mil soldados para a guerra como acontece na realidade."

No ano passado, durante um encontro com empresários na Casa Branca, entre os quais figurava Reed Hastings, CEO da Netflix, Barack Obama reconheceu: "Gostava que a realidade fosse tão duramente eficiente como na série. No outro dia estava a ver Kevin Spacey num episódio e comentei: ‘este tipo faz com que muitas coisas se concretizem!'." Um comentário que o próprio Spacey, em entrevista de 2013, já antecipara: "Francis é diabólico, é brutal, mas eficaz."

Amigo pessoal de Bill Clinton, o actor afasta pontos de contacto do personagem com o ex-presidente, mesmo reconhecendo a influência de um ambiente que passou a conhecer de modo mais próximo a partir de 1996. "É possível ser boa pessoa e triunfar na política, mas há muitas coisas nos bastidores de que só sabemos muito depois", resume. E acredita Spacey na política? A resposta poderia ser de um Underwood bom: "Acredito no serviço público."

Fonte: economico.sapo.pt

Para página da categoria

Loading...