«A Vida de Adèle – Capítulos 1 e 2»: o lesbianismo para falar do sentimento mais universal de todos

28 de Novembro de 2013 8:44

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«A Vida de Adèle – Capítulos 1 e 2»: o lesbianismo para falar do sentimento mais universal de todos

Adèle (Adèle Exarchopoulos) tem 15 anos e ainda está indecisa sobre a sua sexualidade. Tudo se altera quando conhece Emma (Léa Seydoux), mais velha e homossexual. Confusa com os seus desejos, a paixão é avassaladora e Adèle acaba por também ela assumir o seu papel sexual, embora não seja uma mudança pacífica, tanto na escola como em casa.

«A Vida de Adèle – Capítulos 1 e 2» acompanha a descoberta sexual da jovem, mas vai mais além, já que também oferece a vida em comum das duas protagonistas. O despertar da sexualidade, o amor, os problemas de identidade e a homossexualidade são alguns dos temas abordados pelo vencedor de Cannes 2013.

Estamos perante um filme honesto, claro e sentimental, com um olhar apaixonado de Kechiche por Emma, mas principalmente por Adèle. A relação entre o realizador e Adèle Exarchopoulos é realmente impressionante, o principal feito do filme, mais do que as cenas homossexuais entre as duas protagonistas. Sente-se a entrega total de ambos pelo que fazem, numa troca de emoções realmente perturbadora.

As comoções, os alvoroços, as sensações ao longo das cerca de 3h00 (não se assuste, o tempo passa num ápice…) são inúmeras, oferecendo ao espectador uma obra realmente bastante sincera.

Reduzir «A Vida de Adèle – Capítulos 1 e 2» às cenas de homossexualidade, ao lesbianismo e a polémica criada por Léa Seydoux (que considerou o realizador «um sádico perverso manipulador») é injusto e imerecido. É notório o afecto de Kechiche pelo cinema em si. A sua realização é realmente algo fresco, principalmente os seus primeiros planos, que confrontam o espectador, apresentando algo verdadeiramente intenso.

«A Vida de Adèle – Capítulos 1 e 2» é antes de tudo uma bela e triste história de amor, a primeira história de amor que todos já viveram, pelo menos uma vez na vida. O lesbianismo é um pormenor, pois o Amor é universal e não tem sexo.

Kechiche apresenta um filme emocional «até ao tutano», muito devido a sua realização, que não se cansa de fechar os seus planos nos rostos dos seus protagonistas. Mas também nas suas peles, aquando das cenas homossexuais. A fotografia também é deslumbrante, inclusive as cenas de sexo, que mais parecem quadros em movimentos.

Ao escolher o lesbianismo para falar do sentimento mais universal de todos, o amor, Kechiche consegue a proeza de criar uma íntima ligação com os cinéfilos, que se identificam facilmente com a história, mesmo com aqueles que não se revejam nas opções sexuais das protagonistas.

Fonte: diariodigital.sapo.pt

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