As comemorações dos 900 anos do nascimento de Gualdim Pais

20 de Outubro de 2018 5:50

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A homenagem a Gualdim Pais não ficaria completa sem uma referência especial a Guimarães, onde o caráter de Gualdim foi moldado nos valores que conduziram à fundação da nacionalidade.

Os municípios de Barcelos, Braga, Coimbra, Tomar, Vila Verde e Amares associaram-se para assinalar os 900 anos do nascimento de Gualdim Pais (1118-1195), cavaleiro de D. Afonso Henriques e Mestre da Ordem dos Templários. Amares, Braga e Barcelos reclamam o seu berço.

As jornadas gualdinianas contemplam diversas iniciativas: conferências, palestras, teatro, visitas guiadas e espaços culturais. O programa arrancou no passado dia 21 e 22 de setembro, em Barcelos, seguindo depois para Braga, Coimbra, Tomar, Vila Verde, com encerramente em Amares, no dia 3 de novembro. Porém, também, o município de Guimarães merecia fazer parte das comemorações, dada a relação de Gualdim Pais com o nosso primeiro monarca e a fundação da nacionalidade.

1 - “Por volta dos 12 anos terá entrado como morador para o Paço do infante Afonso” (lápide biográfica).

2 - “Gualdim Pais foi educado na corte de D. Afonso Henriques e aí teve ocasião de criar uma estreita amizade com o futuro Rei de Portugal” (“ Os Templários”, publicado pelo Canal de História (Canal TV, especializado e reconhecido, internacionalmente, pelo seu rigor em temas de história).

3 - “Pela morte de seus pais ou pela sua falta de recursos, Gualdim foi criado no paço e por D. Afonso Henriques mandado educar”.(cf. Silva Viana - Gualdim Pais - 1895, pag. 14).

4 - “No Mosteiro de Guimarães, Gualdim terá aprendido as primeiras letras e estudado os códices doados por Mumadona...” (cf. Paulo Alexandre Loução in Templários na formação de Portugal).

5 - Galdim Pais “pertencia à pequena nobreza minhota. A sua ligação à família de Riba de Vizela sugere contactos com a nobreza de serviço da corte régia, o que se confirma por no texto biográfico se dizer que foi educado e feito cavaleiro pelo próprio rei” (cf. José Mattoso - in D. Afonso Henriques - 307).

Note-se que a diferença de idades entre Gualdim e o infante Afonso é relativamente pequena: D. Afonso Henriques nasceu em 1106 (ou 1109), no palácio real de Guimarães, tendo sido batizado na capela real, adjacente ao mosteiro, fundado por Mumadona em meados do sec. X. Por sua vez, Gualdim Pais, tendo nascido em 1118, é mais novo que o infante Afonso Henriques 9 ou 12 anos. Recorde-se que D. Afonso Henriques só mudou a corte do Condado para Coimbra em 1131.

Do exposto, resulta que algum tempo da sua juventude terá sido passado na villa de Vimaranis, onde os pais do infante Afonso (D. Henrique e D. Teresa) residiam no palácio real (Palatium regale in villa de Vimaranis), como lhe chama a carta de doação de 1121, outorgada por D. Teresa de um campo doado aos franceses, moradores em Guimarães, para que estes aí construissem uma capela, como veio a acontecer, dando origem à capela de S. Tiago (demolida) e hoje praça de S. Tiago, em Guimarães.

A informação acerca da sua família poderá ser encontrada no Livro de Linhagens do Deão, no Livro de Linhagens de D. Pedro e na inscrição tumular da sua sepultura. Os dados biográficos encontram-se, essencialmente, em duas lápides com um texto quase idêntico.

Conjugando essas informações, conclui-se que Gualdim era filho de Paio Ramires e de Gontrode. Esta (sua mãe) era irmã de D. Paio Soares Correia, o “Velho”, sendo, portanto, da família dos “Correias”. Gualdim tinha, pelo menos, duas irmãs. Uma delas, Estevainha Pais, era casada com Martins Anes de “Riba Vizela”. Gualdim, pertencia, portanto, à pequena nobreza da zona do Minho, graças ao casamento da sua irmã, Estevainha Pais, com um membro da importante família cortesã de ”Riba de Vizela”.

O nome Gualdim, segundo José Mattoso, “parece indicar alguma ligação à onomástica nórdica, pois é um diminutivo do étimo gótico do qual deriva também Gualter” (cf. D. Afonso Henriques- 306 e 307).

Gualdim Pais foi figura proeminente na fundação da nacionalidade e mestre da Ordem dos Templários em Portugal. Companheiro de D. Afonso Henriques, foi armado cavaleiro pelo monarca em Ourique, em 25 de julho de 1139, tendo então tomado a cruz vermelha dos cruzados. Em 1152, regressado da Palestina, D. Afonso Henriques fez dele comendador ou mestre da casa que a Ordem tinha em Braga, na atual rua ainda com o seu nome, bem como comendador de Sintra, dando-lhe aí “casas e fazenda”.

Em 1157 foi elevado a grão-mestre da Ordem do Templo. Em 1160, depois do regresso de Jerusalém, iniciou a contrução do complexo que inclui o Convento de Cristo e o castelo de Tomar, onde instalou a sede da Ordem. A Gualdim Pais se atribui, além de outros castelos (Almourol, Ceres, Idanha, Monsanto, Pombal e Tomar), também a contrução da Igreja de Santa Maria dos Olivais (ou do Olival), situada muito próxima do castelo.

Em setembro de 1169, diz-se que estando D. Afonso Henriques a tratar-se dos ferimentos graves numa perna, causados por uma queda do cavalo, ao sair precipitadamente da fortaleza de Badajoz, D. Afonso Henriques teria mandado chamar D. Gualdim Pais, cometendo-lhe “não só a defesa da fronteira da Estremadura, mas também a continuação da reconquista, dando-lhe como recompensa “a terça de tudo quanto ganhasse para o reino”. O seu maior feito militar foi a defesa valorosa do Castelo de Tomar, em 1190, do forte ataque dos mouros, facto que justificou Alexandre Herculano a qualificá-lo de “duro velho”.

Na lápide que cobre a sua sepultura, numa das capelas da igreja de Santa Maria dos Olivais (panteão dos Mestres do Templo) junto a Tomar, consta como data do seu falecimento o dia 13 de outubro de 1195 (1233 da era de César). O túmulo primitivo, devido ao seu mau estado, foi substituido por outro, em 1770, onde atualmente repousam os seus restos mortais.

Como se verifica, tudo aponta para uma estreita relação entre D. Afonso Henriques e Gualdim Pais e uma mesma educação dentro dos valores aceites e promovidos pela corte dos Condes Portucalenses. Assim, a homenagem a Gualdim Pais, nas comemorações dos 900 anos do seu nascimento, não ficaria completa sem uma referência especial a Guimarães, onde o caráter de Gualdim (monge, guerreiro, cavaleiro do Templo, estratega militar e povoador) foi moldado nos valores que conduziram à fundação da nacionalidade.

Fonte: publico.pt

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