Deutsche Bank Portugal na mira da banca espanhola

14 de Janeiro de 2018 18:46

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Deutsche Bank Portugal na mira da banca espanhola

Venezulano dono do galego Abanca e o banco Sabadell terão olhado para a sucursal do Deutsche Bank em Portugal.

Um dos potenciais interessados na sucursal portuguesa do Deutsche Bank terá sido o venezuelano dono do Abanca em Espanha, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Juan Carlos Escotet detém em Espanha o banco galelo Abanca Corporación Bancaria, através do Abanca Holding Financiero (dono do banco com 86,79%).

Contactado o Abanca Corporación Bancaria, em Espanha, desmente que esteja a comprar o Deutsche Bank Portugal e não foi possível contactar o maior acionista do banco, Juan Carlos Escotet.

O Abanca está em Portugal na sequência de ter comprado o Caixa Galicia e o Caixanova. A sua presença no mercado português é muito residual, com poucos balcões, apesar de, segundo as nossas fontes, ser uma operação rentável. A compra do Deustche Bank Portugal podia ser uma forma do banco espanhol crescer no mercado português.

O banco galego Abanca detido pelo venezuelano (dono do Banesco na Venezuela) esteve na corrida à compra do Deutsche Bank em Espanha, segundo a imprensa local. Mas em Espanha retirou a sua oferta ao Deutsche Bank por falta de resposta célere da instituição alemã. Aparentemente o Deutsche Bank decidiu cancelar a venda da sua unidade em Espanha. Um processo que nunca foi lançado oficialmente, mas que, segundo o jornal galego El Español, passou pelas mesas dos principais executivos da banca em Espanha.

Em Portugal, o Deutsche Bank iniciou a sua actividade em 1978. O banco contava com 50 balcões próprios, mas anunciou em setembro de 2016 que iria fechar 15 balcões.

O banco liderado por Bernardo Meyrelles é especialista na gestão de património de alto rendimento.

Com a crise financeira em 2011 deixou de ser um banco de direito português para passar a sucursal da casa-mãe alemã. Um passo que, no sistema financeiro nacional, foi visto como uma forma de a instituição deixar de estar exposta ao risco de Portugal.

Mais tarde o banco alemão, em 2016, recebe uma multa milionária das autoridades norte-americanas, pela venda irregular de produtos complexos antes da crise, a situação do banco alemão começa a complicar-se e o fantasma do resgate estatal ao Deutsche Bank surge no horizonte. O banco é forçado a implementar um forte corte de custos, e a vender operações internacionais para se recapitalizar.

Quando surge o risco de resgate soam alarmes no banco em Portugal, pois o fato de ser uma sucursal expunha-o diretamente ao eventual resgate na Alemanha. Já que se acontecesse teria implicações nos obrigacionistas e clientes em Portugal, dadas as regras da Directiva de Recuperação e Resolução Bancária” (BRRD).

O fantasma de resgate desapareceu do Deutsche Bank alemão, mas as operações em Espanha e Portugal, continuam no mercado.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt

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