Governo português aguarda «consequências» do inquérito do embarque de sírios na Guiné-Bissau

24 de Dezembro de 2013 11:17

7 0

Governo português aguarda «consequências» do inquérito do embarque de sírios na Guiné-Bissau

A posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros português foi expressa, em comunicado, após ter sido informado pelas autoridades da Guiné-Bissau das conclusões da comissão de inquérito sobre «o grave incidente de segurança» ocorrido no aeroporto de Bissau, no dia 10 de dezembro, que apontam para o envolvimento direto ministro do Interior do Governo de transição guineense, António Suca Ntchama.

«O Governo português reitera que o sucedido - o embarque forçado, através de pressão e coerção por parte de autoridades guineenses sobre funcionários da TAP, de 74 passageiros com documentação reconhecidamente falsa numa aeronave portuguesa com destino a Lisboa - é absolutamente inaceitável», declarou o ministério de Rui Machete.

"Portugal aguarda ainda que as autoridades guineenses retirem todas as necessárias ilações e consequências do ocorrido, incluindo, conforme anunciado, a responsabilização dos intervenientes no processo. Também ainda não foi cabalmente garantido que situações similares não se poderão repetir no futuro, questão essencial no nosso processo de reavaliação sobre a existência de condições de segurança no aeroporto de Bissau para a retoma da rota", sublinha o comunicado do ministério.

A comissão de inquérito ao incidente com um voo da TAP em Bissau concluiu na segunda-feira que o ministro do Interior do Governo de transição guineense "exigiu" o embarque dos 74 sírios com passaportes falsos para Portugal, tendo o governante sido ouvido pelo Ministério Público guineense na segunda-feira.

No comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros português é manifestada "solidariedade para com o povo guineense, primeira e principal vítima da situação criada pelo Golpe de Estado de 12 de abril de 2012".

"Revendo-se na Declaração do Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 9 de dezembro", o Governo português "reitera a expetativa de que as eleições gerais de 16 de março se realizem em condições de liberdade, transparência e segurança".

"Esperamos que o pleno respeito pela livre vontade popular permita o retorno à ordem constitucional e o combate à impunidade prevalecente na Guiné-Bissau", declarou o Governo português, sublinhando que "continuará a apoiar o povo da Guiné-Bissau, também no contexto das Nações Unidas, da União Europeia e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa".

Na sequência do incidente ocorrido a 10 de dezembro, que o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, considerou que se assemelhava a um "ato de terrorismo", a TAP cancelou os voos para Bissau.

Fonte: diariodigital.sapo.pt

Para página da categoria

Loading...