Manifesto afirma que venda dos CTT é «ruinosa»

22 de Novembro de 2013 10:53

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Manifesto afirma que venda dos CTT é «ruinosa»

A privatização dos correios portugueses (CTT) «é ruinosa» para o Estado e sem justificação, vão hoje dizer ao Governo mais de uma centena de activistas e figuras públicas, através de um manifesto contra a venda da empresa pública.

Denominado exatamente «Manifesto contra a venda dos CTT», o documento será entregue no Ministério da Economia pelo jornalista Daniel Oliveira, pela economista Eugénia Pires e pelos cineastas António-Pedro Vasconcelos e Margarida Gil.

O documento foi dinamizado pela Associação para a Taxação das Transações Financeiras e Ajuda dos Cidadãos (ATTAC Portugal) e tem mais de 100 assinaturas, de professores e escritores, arquitetos, cineastas, políticos e sindicalistas, para demonstrar que há «um conjunto alargado de setores sociais que estão contra a venda», dizem os organizadores.

«O objetivo é um grupo de cidadãos portugueses oporem-se a uma venda que consideramos lesiva do interesse nacional e do Estado», disse à agência Lusa Daniel Oliveira, acrescentando que, além de terem uma função fundamental de coesão nacional e soberania do país, os CTT são uma empresa que dá lucro e que numa década o Estado recebe em dividendos o mesmo que prevê receber na privatização.

Uma oferta pública de venda (OPV) dos CTT está já a decorrer até 02 de dezembro, no âmbito de um processo de privatização. Daniel Oliveira considerou que tal não impede que os cidadãos se manifestem e que o Governo entenda que as pessoas «não estão distraídas» perante uma privatização «inexplicável e inaceitável».

«É um negócio ruinoso para o Estado, não serve os interesses do país e não tem qualquer justificação plausível que não seja a estrita necessidade do momento de acertar contas e assim prejudicar o futuro do país», disse Daniel Oliveira, lembrando que os CTT são das empresas com melhor imagem junto dos cidadãos e de referência em termos europeus.

Daniel Oliveira considerou errada a ideia de que o negócio postal esteja em decadência, disse que «são pouquíssimos os países que se aventuraram a ter um serviço postal privado» e deixou uma questão: «E quando o Estado já não tiver aeroportos, companhia aérea, banco? Não tem moeda, não tem autonomia fiscal, como é que nos vamos continuar a considerar um Estado? Com que instrumentos? Vamos cobrar impostos e ter prisões, é o que nos resta».

Fonte: dinheirodigital.sapo.pt

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