MPLA acusa UNITA de querer «reinstalar caos e desordem» em Angola

23 de Novembro de 2013 9:40

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MPLA acusa UNITA de querer «reinstalar caos e desordem» em Angola

A manifestação foi convocada pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) como "um ato pacífico de repúdio das violações dos direitos humanos" em Angola.

A ação de protesto vem na sequência do anúncio da exoneração do diretor do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), por alegado envolvimento desse departamento no rapto, e eventual morte, de dois opositores, há ano e meio.

No comunicado, assinado pelo Bureau Político (BP) do MPLA, acusa-se a UNITA de pretender, com a convocação da manifestação de sábado, "criar o caos e a anarquia".

"O que pretende a UNITA quando convoca manifestações de rua, sob o pretexto de 'repúdio' contra as mortes de Cassule e Camulingui e quando clama por 'mudança' fora do ato eleitoral, senão criar o caos e a anarquia e tentar levar o País para uma situação de refém dos seus caprichos, bloquear as instituições e causar o retrocesso no desenvolvimento do País?", destaca-se no comunicado.

Socorrendo-se do que se está a passar em Moçambique, o MPLA coloca a UNITA a par da Renamo, principal partido da oposição moçambicana.

"Na verdade, o Bureau Político considera que a UNITA (...) alentada pelo surto de terrorismo dos seus parceiros moçambicanos da Renamo, que violaram os acordos de paz e estão a lançar a desestabilização e a destruição de novo em solo irmão de Moçambique, espreita também a oportunidade de lançar os caos e a desordem no nosso País", acusa o BP.

Essa situação, garante o MPLA, "jamais será tolerada e merecerá a resposta adequada e a responsabilização plena dos seus instigadores que não se escudem depois em presumíveis perseguições políticas quando a justiça os chamar a razão".

E adverte a UNITA para "que não tente, uma vez mais, alcançar por caminhos ilegais, aquilo que nunca conseguiu obter por via eleitoral, lançando para uma aventura irresponsável e de consequências imprevisíveis, os seus militantes e apoiantes, alguns não devidamente esclarecidos".

Num comentário à Lusa, o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, lamentou o tom do comunicado do MPLA, que disse visar "intimidar" todos os que desejam manifestar-se sábado em Luanda.

Os dois opositores, Isaías Cassule e Alves Kamulingue, foram raptados na via pública, em Luanda, nos dias 27 e 29 de maio, quando procuravam organizar uma manifestação antigovernamental de veteranos, desmobilizados e antigos militares como eles.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola anunciou no passado dia 13 terem sido efetuadas quatro detenções relacionadas com o rapto e provável homicídio daqueles dois ex-militares.

Além das quatro detenções, o Presidente angolano José Eduardo dos Santos demitiu Sebastião Martins, diretor do SINSE e que acumulava o cargo com o de ministro do Interior, aquando do rapto dos dois ex-militares.

Fonte: diariodigital.sapo.pt

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