Parceiros sociais rejeitam política de baixos salários imposta pela 'troika'

3 de Dezembro de 2013 0:00

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Parceiros sociais rejeitam política de baixos salários imposta pela 'troika'

Falando aos jornalistas no final de uma reunião de concertação social, que se prolongou por mais de quatro horas, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP-CEP), António Saraiva congratulou-se com o facto de o Governo concordar com os parceiros sociais "de que não é pela redução dos salários que a economia vai crescer".

"Esperamos com expectativa pela 10ª avaliação. Não ficou definido nenhum aspeto relativamente aos salários, mas aquilo que dizemos é que a economia portuguesa não pode continuar a assentar em baixos salários", afirmou António Saraiva.

O representante da confederação patronal manifestou disponibilidade por parte da CIP-CEP "para rever uma política salarial e um crescimento salarial, mas de acordo com regras, ganhos de produtividade e comparação com outros países".

"Mas não podemos assentar numa política de baixos salários e não é por salários a descer, com esta focalização na redução de salários como alguns elementos da 'troika' têm, que a economia vai crescer", reforçou António Saraiva.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, considerou por seu turno que "não há neste momento nem intenção nem capacidade por parte do Governo para tentar criar alguma flexibilidade que permita e facilite o relançamento da economia, nomeadamente, em matérias como os salários ou a carga fiscal, um conjunto de situações que leva à quebra do consumo".

Vieira Lopes manifestou preocupação perante esta ausência de margem negocial entre o executivo e a 'troika' e lembrou que "o próprio Orçamento do Estado (OE2014) vai levar a uma quebra do poder de compra das famílias e isso é mau".

"Temos receios que a quebra de consumo venha a parar esses sintomas leves de recuperação da economia que não se deve só às exportações", admitiu Vieira Lopes.

Rejeitando uma política de baixos salários, também a presidente da UGT, Lucinda Dâmaso, afirmou que "nesta avaliação terá de ser dito à 'troika' que é preciso incentivo ao investimento que gere emprego e o crescimento do país".

"Uma política de baixos rendimentos - salários e pensões - é uma política errada. Com baixos rendimentos, não há poder de compra", reforçou Lucinda Dâmaso, acrescentando que a UGT não prescindirá do aumento do salário mínimo nacional (SMN) e rejeitará "por completo" a redução dos rendimentos.

"Será inaceitável que esta política continue e esperemos que o Governo faça isso junto da 'troika'", ou seja, que trave esta exigência imposta pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional.

Para a CGTP, é fundamental que o Governo aumente o SMN a partir de 01 de Janeiro.

"Janeiro é o mês que o Governo tem para legislar sobre o SMN. A questão do Governo é sempre a mesma: está contra o modelo de baixos salários, mas todos os dias continua a desenvolver uma política que assenta no modelo de baixos salários e que congela o aumento do SMN", afirmou Arménio Carlos.

Se, conforme já foi dito por vários membros do Governo, "há uma divergência com o FMI [em matéria de redução salarial], a coisa resolve-se rapidamente. O Governo aumenta o SMN e demonstra que não está de acordo com o FMI e que quem manda no país somos nós", concluiu Arménio Carlos.

Esta manhã, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, garantiu que o Governo e os parceiros sociais partilham da mesma opinião de que o sector privado em Portugal "já ajustou" em termos salariais e que "a divergência de opinião é com o Fundo Monetário Internacional e não com os parceiros sociais".

A governante participou na reunião de concertação social para apresentar aos parceiros as matérias que estarão em cima da mesa na 10ª avaliação da 'troika' ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEFF),

A equipa da 'troika' chega a Portugal na quarta-feira para a 10ª avaliação ao programa português com posições divergentes em relação a um dos pontos centrais em cima da mesa, o mercado laboral.

Fonte: sol.sapo.pt

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