Pesquisa praticamente elimina necessidade do cromossoma Y na reprodução

22 de Novembro de 2013 11:31

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Pesquisa praticamente elimina necessidade do cromossoma Y na reprodução

Os cientistas conseguiram condensar todas as informações genéticas normalmente encontradas num cromossoma Y de um rato de laboratório em apenas dois genes.

O estudo, publicado pela revista científica Science, mostrou que os animais modificados ainda eram capazes de se reproduzir, apesar de necessitarem de técnicas avançadas de reprodução assistida.

Os investigadores afirmam que os resultados do estudo podem um dia ajudar homens inférteis por conta de um cromossoma Y danificado.

O ADN, que contém o código genético do indivíduo, está condensado em cromossomas. Na maioria dos mamíferos, incluindo os humanos, um par de cromossomas funciona como cromossoma sexual.

Se o feto recebe um cromossoma X e um Y dos pais, será do sexo masculino, mas se receber dois cromossomas X será do sexo feminino.

«O cromossoma Y é um símbolo da masculinidade», comentou à BBC a coordenadora da pesquisa, Monika Ward.

Nos ratos de laboratório, o cromossoma Y normalmente contém 14 genes distintos, com alguns deles presentes em até uma centena de cópias.

A equipa da Universidade do Havaí mostrou que os ratos geneticamente modificados com um cromossoma Y que consistia de apenas dois genes poderiam desenvolver-se normalmente e poderiam até mesmo gerar crias.

«Esses ratos são normalmente inférteis, mas mostramos que é possível gerar descendentes viáveis quando o cromossoma Y está limitado a apenas dois genes usando a reprodução assistida», disse Ward.

Os animais de laboratório somente produziriam espermatozóides rudimentares. Mas poderiam gerar descendentes com uma forma avançada de reprodução assistida, chamada injecção de espermátide redonda, que implica injectar informações genéticas do espermatozóide rudimentar num óvulo.

Os dois genes necessários para a reprodução eram o Sry, que inicia o processo de produção de um macho quando o embrião se desenvolve, e Eif2s3y, envolvido nos primeiros passos da produção de espermatozóides.

Ward argumenta, porém, que «pode ser possível eliminar o cromossoma Y» se o papel desses genes puder ser reproduzido de uma forma diferente, mas observa que um mundo sem a existência de homens seria uma «loucura» e «ficção científica».

«Mas no nível prático isso mostra que, após a eliminação de grandes porções do cromossoma Y, ainda é possível a reprodução, o que potencialmente dá esperança aos homens com essas falhas no cromossoma», afirma.

Os genes descartados são provavelmente envolvidos na produção de espermatozóides saudáveis.

Os autores dizem que mais estudos são necessários para verificar se as conclusões poderiam ser aplicadas também a seres humanos, já que alguns dos genes não são equivalentes entre as espécies.

Fonte: diariodigital.sapo.pt

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