Poucos médicos salvaguardam a possibilidade de mulheres com cancro engravidarem

28 de Fevereiro de 2015 8:50

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, que ainda está a decorrer, afirmaram que anualmente assistem, em média, 72,04 mulheres com doença oncológica em idade reprodutiva. No entanto, e também em média, no mesmo período de tempo cada um referencia apenas 5,62 doentes para consulta com um especialista, indica a autora do estudo e investigadora da Universidade de Coimbra, Cláudia Melo.

Aos oncologistas não foi perguntado por que motivo não o fazem sempre ou mais frequentemente. Mas as áreas em que os médicos reclamam informação dão uma indicação das razões – “Quais as técnicas de preservação da fertilidade disponíveis? Quais as vantagens de umas em relação a outras? Quanto custam? Quais as estruturas para referenciação dos doentes?”.

A dificuldade em sensibilizar os médicos tem vindo a ser denunciada, precisamente, pela presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e directora do Centro de Preservação da Fertilidade dos CHUC, Teresa Almeida Santos, que reclama a criação de uma rede de referenciação para todo o país que permita um encaminhamento rápido dos doentes oncológicos. Bate-se, também, pela comparticipação em 100% dos tratamentos essenciais à preservação de óvulos, que podem custar a cada doente entre 200 e 400 euros.

Apesar de calcular que, existem, em Portugal, anualmente, cerca de 340 mulheres em idade fértil que poderiam beneficiar das técnicas disponíveis no centro especializado dos CHUC, foram apenas 120 as que ali foram acompanhadas desde a criação desta unidade, em 2010. E, daquelas mulheres, 42 não puderam optar por qualquer das soluções – o congelamento de óvulos e a criopreservação do ovário para posterior implantação, uma técnica ainda experimental. “Em geral, o motivo para que tal acontecesse foi, precisamente, a referenciação tardia. As mulheres já tinham iniciado tratamentos ou estavam prestes a iniciá-los e não havia condições para arriscar um adiamento”, apontou, em declarações ao PÚBLICO, Cláudia Melo, que também é psicóloga no CHUC.

Fonte: publico.pt

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