"O PS tenta esconder das pessoas os seus verdadeiros compromissos"

28 de Fevereiro de 2015 11:29

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O PCP organiza este sábado um encontro nacional em Loures onde são esperados cerca de 2000 comunistas para procurar “soluções para o país” e travar o “declínio nacional”, numa maratona de três dezenas de discursos. João Oliveira, líder da bancada parlamentar, quer que Portugal estude e prepare a saída do euro mas sem adiantar cenários ou prazos. Sobre uma convergência à esquerda compromete-se ainda menos e acusa o PS de “esconder” as suas políticas.

Qual é o objectivo do encontro de hoje? É o tiro de partida do PCP para as legislativas?Este encontro tem uma perspectiva mais ampla e pretende reflectir sobre o caminho que Portugal tem seguido e aquele que é preciso seguir para lá das eleições. A batalha eleitoral para a Assembleia da República é um momento muito importante nesse percurso, mas não é o destino, o caminho não começa aí nem acaba aí. Queremos reflectir de forma alargada sobre a situação que o país atravessa nas suas várias dimensões, económica, social e política, e afirmar linhas de solução para os problemas.

Que soluções são essas?Passam por uma política alternativa à que tem sido executada há décadas, com eixos de natureza económica, social, questões relacionadas com a produção nacional, com a recuperação dos sectores produtivos, a valorização de salários e de pensões, a defesa das funções públicas e sociais do Estado.

Esses argumentos não são novos no discurso do PCP. Vão apresentar propostas concretas?As propostas concretas surgirão no programa eleitoral, trabalho que vamos fazer de forma tão alargada quanto possível. Com todos os que, não sendo comunistas, se afirmam numa perspectiva patriótica, de preocupação com o país e que estão disponíveis para as soluções que é preciso construir.

Isso é o PCP a abrir-se à sociedade e a contributos que não o dos militantes e simpatizantes?Dificilmente se encontrará um partido que de forma tão aberta construa soluções políticas. O facto de integrarmos coligações eleitorais com outros partidos e milhares de independentes é um exemplo da forma aberta como nos posicionamos.

Que condições é preciso então construir?Renegociar a dívida, romper os condicionamentos que nos são impostos pela União Europeia para encontrar uma resposta para a situação económica que parta da criação de emprego e o controlo público dos sectores estratégicos são aspectos essenciais.

É hoje em dia técnica e financeiramente exequível reverter o controlo público nesses sectores?É tão mais exequível quanto se torna insustentável manter estes sectores nas mãos dos privados. O exemplo mais flagrante é a banca. Quando há uns meses apresentámos na AR uma proposta para recuperar o controlo público da banca não houve uma única intervenção contra esta proposta [mas acabou chumbada]. Isto só confirma que hoje em dia já ninguém se atreve a defender a gestão privada da banca, sobretudo perante os exemplos do que tem dado.

Isso pode significar que o cenário das nacionalizações de há 40 anos volta a fazer hoje sentido na cabeça de muita gente?Muita gente percebe que, se continuássemos a ter um controlo público da banca, os episódios a que temos assistido com o BES, BPN, BPP, BCP dificilmente aconteceriam. Há um desconforto na sociedade portuguesa sobre a forma como funciona a banca.

O PCP defende ou não uma saída de Portugal do euro?Nós defendemos que o país se deve preparar para isso. Defendemos que Portugal deve libertar-se dos condicionamentos do euro e que deve preparar-se para a saída do euro.

Isso é defender a saída. Para a preparar terá que desenhar cenários. Quais são?Temos que fazer o levantamento, estudar todos os cenários que se podem colocar. Um cenário em que sejamos empurrados, outro em que decidimos sair, ou até numa saída negociada.

A preparação e a saída seriam em que horizonte temporal?Depende do estudo que for feito e dos cenários.

O que poderia levar a UE a empurrar-nos para fora do euro?Essa pergunta não sou eu quem pode responder; são as instituições da UE e os governos que a integram. Há dois anos houve governos que sugeriram a possibilidade de um conjunto de países do Sul poderem ser empurrados para fora do euro ou, em alternativa, que um grupo de países mais poderosos que saísse do euro e criasse uma moeda mais forte. Empurrarem-nos depende dos outros.

Voltávamos ao escudo?Eu acrescento: que medidas se tomam sobre a circulação da moeda? E qual a moeda de referência para os depósitos bancários? E as taxas cambiais? É tudo isso que o PCP quer ver estudado. Há opiniões muito diversas, mas é preciso que o Estado português assuma a responsabilidade de estudar todos os cenários e todas as suas implicações.

Fonte: publico.pt

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