Re-food: Projecto criado por americano quer livrar Lisboa do desperdício

20 de Novembro de 2013 12:40

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Re-food: Projecto criado por americano quer livrar Lisboa do desperdício

«As pessoas conhecem-me por ser ambicioso», disse à Agência Efe Hunter Halder, um americano radicado em Lisboa que fundou a organização de aproveitamento de alimentos Re-food.

Desde 2011, Halder pedala todos os dias pelas ruas da capital portuguesa com um chapéu e uma cesta cheia de marmitas que o torna facilmente reconhecível entre os moradores.

Num primeiro momento, a sua missão surgiu da preocupação que lhe despertou a pergunta do seu filho: «o que o restaurante vai fazer com os restos de salada?».

«O meu filho disse-me que atirar a comida para o lixo era uma vergonha e eu expliquei que os restaurantes não tinham culpa, já que não tinham alternativa. Quando eu disse a palavra alternativa, uma luz acendeu-se na minha cabeça», contou.

A ideia original foi avançando de porta em porta no bairro de Nossa Senhora de Fátima e o sucesso da iniciativa cresceu através do boca em boca, ajudado pela particular fama de Halder.

Dois anos depois, com a instituição já estabelecida, o americano pretende chegar em 2014 a todos os bairros da capital portuguesa com 20 grupos de trabalho no âmbito da campanha «Lisboa 100%».

Por enquanto, pelo menos dez equipas e mais de mil voluntários trabalham como mediadores entre as cozinhas dos bares e os moradores de cada região.

No dia-a-dia, os voluntários falam com o restaurante, deslocam-se ao local numa hora estipulada para perguntar se sobrou comida e levam os restos para famílias e idosos sem recursos ou para organizações de bairro que oferecem refeitórios sociais.

«Pensei que seria mais difícil e não é: é trabalhoso. O difícil foi tomar a decisão de deixar de ganhar dinheiro para criar uma organização em que ninguém ganha um cêntimo», explicou.

A Re-food tem a vantagem de uma premissa que Halder repete: «ninguém gosta de desperdiçar comida». Sem entrar na «chantagem psicológica», ressalta, os voluntários explicam e passam diariamente pelos restaurantes para perguntar se sobrou algo.

«Vamos todos os dias. Se há sobras, oferecemos uma caixa para colocá-las. Se não há nada, damos os parabéns pelo negócio. E o projecto funciona quando entendem que a nossa intenção é um serviço sem custos», disse Halder.

A organização está a crescer como franquia. A Re-food dá palestras, ensina como trabalhar numa associação de bairro, tenta inspirar novos gestores, e apoia com a logística e a «marca».

Segundo estimativas do Zero Desperdício, 50 mil refeições acabam no lixo diariamente no país e 20% do total do lixo correspondem a alimentos.

A nível europeu, 90 milhões de toneladas de resíduos são desperdiçadas por ano em toda a União Europeia (UE), total que equivale a uma média de 179 quilos por pessoa.

De acordo com dados comunitários, está previsto que o desperdício dispare caso não sejam tomadas algumas medidas, e que em 2020 haja um aumento de 40%, chegando a 126 milhões de toneladas.

Fonte: diariodigital.sapo.pt

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