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Macron, o novo Rei Sol? Projeções dão maioria absoluta aos partidos do Presidente

18 de Junho de 2017 18:08
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Macron, o novo Rei Sol? Projeções dão maioria absoluta aos partidos do Presidente

As projeções apontam para uma maioria absoluta para os partidos que apoiam Emmanuel Macron, que podem controlar mais de 70% do parlamento. Abstenção atinge o valor recorde de 58%.

Assim, Emmanuel Macron poderá repetir as palavras atribuídas a Luís XIV: “O Estado sou eu”. Depois de ter sido catapultado para a presidência numas eleições presidenciais onde concorreu por um movimento formado com apenas um ano de antecedência, os dois partidos que apoiam o novo Rei Sol francês conquistaram uma maioria absoluta que pode passar dos dois terços da Assembleia Nacional. Além disso, poderá ser a maioria mais expressiva da V República francesa, fundada em 1958.

Segundo as projeções anunciadas pela BFMTV, os dois partidos pró-Macron (República em Marcha e MoDem) deverão ter entre 373 e 403 deputados — entre 64,6% e 69,8% da Assembleia Nacional e bem acima dos 289 que representam o limiar mínimo para a maioria absoluta. Em segundo lugar, surge Os Republicanos e os seus aliados, que terão entre 107 e 127 parlamentares. A fechar o pódio, está o Partido Socialista, coligado a outros partidos mais pequenos da esquerda. Ao todo, passará a ter entre 30 e 35 deputados — uma queda vertiginosa dos 280 conquistados em 2012 e inegavelmente o seu pior resultado numas legislativas.

À extrema-esquerda, a França Insubmissa, deverá ter entre 22 a 27 parlamentares. À extrema-direita, a Frente Nacional conquista entre 5 a 7 deputados — o seu melhor resultado numas legislativas mas, ainda assim, um retrocesso depois de ter chegado à segunda volta das presidenciais, em maio. Entre os deputados da Frente Nacional estará Marine Le Pen, que, depois depois de quatro tentativas falhadas ao longo dos anos, conseguiu ser eleita pela primeira vez para a Assembleia Nacional.

Além destes resultados, há ainda outro número incontornável e que os adversários de Emmanuel Macron tratarão de sublinhar: tal como já tinha acontecido na primeira volta, este domingo a abstenção voltou a subir a um número recorde. Se a 8 de junho o número chegou aos 51,3% (a primeira vez que, numas legislativas, houve mais gente a abster-se do que a votar), hoje as projeções indicam que esse número pode subir aos 58%.

A segunda volta destas eleições legislativas marca a oitava e última vez que os franceses são chamados às urnas em menos de um ano, depois de um período eleitoral intenso. Começou em novembro de 2016 com as primárias da direita, a duas voltas; continuou com as primárias da esquerda, igualmente as duas voltas; atingiu um pico com as presidenciais, disputadas em abril e em maio; e terminou agora em junho, com duas chamadas para ir votar nas legislativas.

A primeira reação da noite pertenceu ao Partido Socialista, na voz do seu primeiro secretário, Jean-Christophe Cambadélis, que perante os resultados apresentou a demissão do cargo. “A esquerda tem de mudar tudo, desde a forma ao conteúdo, das suas ideias às suas organizações”, disse, perante o pior resultado da história do Partido Socialista. “A esquerda tem de abrir um novo ciclo.”

Pouco depois, falou François Baroin, d’Os Republicanos. “O veredito das urnas é claro”, disse, enviando as suas “felicitações mais republicanas” a Emmanuel Macron. Sobre o resultado que coube ao seu partido — a projeção da Elabe prevê-lhe entre 95 e 122 deputados, uma quebra dos 194 de 2012 —, François Baroin disse: “Apesar da nossa eliminação nas presidenciais [François Fillon ficou em terceiro na primeira volta], a campanha intensa que levámos permitiu-nos constituir um grupo suficientemente importante para defender os nossos valores”. “A missão [do nosso grupo parlamentar] será de fazer ouvir as nossas diferenças, nomeadamente no plano fiscal”, acrescentou.

Marine Le Pen, da Frente Nacional, disse que “a paisagem política mudou consideravelmente”. “Nós somos a única força de resistência, nós vamos continuar a ser os defensores dos interesses do povo francês, disse. “É essencial instaurar a proporcionalidade nas eleições legislativas e noutros eleições”, disse, aludindo ao facto de que, apesar de o seu partido ter reunido 13,2% dos votos na primeira volta, a Frente Nacional não ocupará mais de 1,2% dos assentos parlamentares. Sobre a abstenção histórica, disse que esta “fragiliza consideravelmente a legitimidade da nova Assembleia Nacional”.

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Fonte: observador.pt

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