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Marcelo almoçou com pescadores na Graciosa e foi de barco para o Faial

4 de Junho de 2017 18:17
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Marcelo almoçou com pescadores na Graciosa e foi de barco para o Faial

Ao quarto dia de visita, Marcelo esteve na Graciosa e um grupo de pescadores fez-lhe o almoço. Já o nevoeiro no Faial atraiçoou-lhe os planos seguintes e obrigou-o a aterrar de novo no Pico, de onde apanhou o barco “Mestre Simão” até à Horta, no Faial

Ao longo da última semana os pescadores de Santa Cruz da Graciosa foram ao mar várias vezes para trazer para terra os 350 quilos de congro para o almoço deste domingo. À mesa, o peixe regado com caldo, feito pelos pescadores para o Presidente da República, foi acompanhado por 100 quilos de batatas, apanhadas durante esta manhã.

“É um prato fácil de fazer e é rápido”, explica Hugo Melo, pescador de 39 anos, nascido na Graciosa. Foi o tio e o primo que cozinharam o conhecido “Molho do Pescador”, prato típico da Graciosa “que não tem nada a ver com caldeirada”, explicou.

As 400 postas de peixe couberam em três grandes tachos e conseguiram não só que Marcelo gostasse do prato, como até se levantasse para se servir, ele próprio, uma segunda vez. “O Presidente diz que gostou e até veio aqui buscar mais uma posta. Ele gosta é das abas do congro, que é assim uma parte mais marisqueira, é a parte da barriga”, conta Hugo.

O almoço ficou a cargo da Associação de Pescadores Graciosenses, organizado para 350 pessoas, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa. O Presidente da República foi visitar a cozinha quando chegou, deram-lhe a provar o molho da panela com uma concha, falou com os pescadores e tirou fotografias, já depois de ter ouvido a atuação de um grupo de música popular.

“Algumas famílias ainda vivem à base da pesca aqui. Temos aqui 34 embarcações e diria, talvez, 150 pescadores. Agora é multiplicar isso pelas famílias para perceber quantas pessoas ainda dependem das pescas aqui”, conta Hugo Melo. O filho, de nove anos, gosta do mar e da pesca. “Ontem levei-o comigo, foi aos congros.” E que futuro imagina para ele? “Não vale a pena imaginar que seja a pesca. Não é esse o futuro. Daqui a 20 anos, a Graciosa não terá nem metade das pessoas.”

Há mais de 50 anos, conta, a Graciosa tinha 12 mil habitantes, agora tem cerca de 3 mil. “A falta de emprego é uma razão, mas não é a única. Muitos locais não querem estar aqui e tenho colegas que foram para São Miguel que também não querem voltar para cá.”

A sua sorte, conta, é não viver totalmente dependente da pesca. Até porque, por exemplo, a sua quota máxima para apanhar goraz - um peixe que conseguem exportar e que representa a maior parte do rendimento dos pescadores da Graciosa - é de uma tonelada por ano. Desde o início do ano até agora já apanhou 600 quilos - ou seja, 60% da quota, o que significa que durante um tempo terá de parar. “Eu desenrasco-me com outras coisas, mas há pescadores que dependem só disto e têm os barcos parados porque já têm a quota rebentada.”

Hugo Melo não se lembra de ter visto nenhum outro Presidente da República na Graciosa. Se a população estava entusiasmada? “Claro. Acho que, como se vê na televisão, ele é um homem do povo. Os outros Presidentes da República eram mais secos, queriam mais resolver os problemas deles. E este não. Ele cumprimenta toda a gente, não tem preconceito com ninguém.”

E assim que acabou o almoço, Marcelo seguiu o plano e foi visitar a fábrica das Queijadas da Graciosa. “O último a chegar às queijadas não as come”, disse quando partiu, rodeado de pessoas. A uma senhora com quem se cruzou perguntou pela saúde. “Tem alguma maleita de que se queixe? Coluna, coração, pulmões?” Perante a resposta negativa, tirou a sua conclusão. “Então quem está mal sou eu.”

Pelo caminho - ainda que curto - até à fábrica, teve tempo de conversar com mais uma pessoa. “Isso é que é uma bidogaça, também tive, mas nunca tive assim.” Ele lembrou-o dos tempos em que era comentador político na TVI. “Tempos em que eu era jovem. Mas agora estão outros jovens lá, de muito valor, a fazer comentário e eu a ser comentado.” E rapidamente mudou de assunto: “Patilhas é que eu nunca tive umas assim. Como é que as faz?”

Já na fábrica, explicaram-lhe os vários passos da sua produção e no final puseram-no à frente de uma mesa com vários pratos de doces, que Marcelo foi provando. “O que comi hoje não tem descrição”, concluiu à saída. Aquela visita, também ela “simbólica”, é um exemplo de uma empresa que pode dar emprego. “É uma empresa que exporta para fora, mas no mercado açoriano abrange outras ilhas.”

Questionado sobre se acha que a Graciosa tem condições para atrair e fixar a população, o Presidente acredita que sim. “Há potencialidades enormes”, disse, dando exemplo de projetos de turismo ou até mesmo em concreto a fábrica das queijadas que "simbolicamente" visitara.

Apesar de o bom tempo o acompanhar desde o dia em que chegou aos Açores, este domingo as nuvens baixas atraiçoaram-lhe os planos. O programa da visita oficial de seis dias previa que hoje o Presidente partisse de avião para a ilha do Faial. Contudo, o nevoeiro obrigou-o a aterrar de volta na ilha do Pico, de onde partiu no barco "Mestre Simão” às 18h (19h em Lisboa), com destino à Horta.

Fonte: expresso.sapo.pt

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