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"Ninguém é 100% original hoje"

5 de Maio de 2018 16:01
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Acumulou experiência como técnico de som de bandas como os Gift ou os GNR, até que resolveu avançar com o seu próprio projeto musical. Andrés Malta falou com o JN sobre o álbum de estreia dos Enes, "Charlie", que é definido pelo vocalista como um álbum conceptual que descreve as diferentes etapas de uma relação amorosa. A sonoridade cruza o rock e a eletrónica, fazendo lembrar bandas como Kaiser Chiefs ou Klaxons. O primeiro single extraído do disco foi "Just like the first time".

Porque é que um técnico de som decide passar para o lado de lá e começar a compor música?

Essa é uma das áreas que eu gosto de explorar, mas acima de tudo considero-me músico. Até porque comecei a estudar e a tocar muito antes de ser técnico. Foi um salto natural. E tento aplicar esses conhecimentos na música que faço.

E o que é que acrescentam esses conhecimentos, olha para a música de outra maneira?

Acrescentam imenso, tanto musicalmente, como em termos de som, de cenário. É uma mais-valia que, apesar de me roubar muito tempo, traz diversas vantagens.

E as bandas com que trabalhou, Gift ou GNR, são uma influência neste projeto?

Foram uma influência muito grande, principalmente os cantores. A Sónia Tavares é uma das minhas maiores referências, tanto como vocalista como líder de banda. E trabalhar com outros artistas foi crucial nesta caminhada, foi assim que conheci o João [Jonny Abbey, membro da banda], que é um guitarrista fabuloso, e outras pessoas que me permitiram percorrer este mundo.

O tema principal deste disco é o ciclo de amor entre duas pessoas. Desde o momento em que estás sozinho, sem expectativas, até às diversas etapas de uma relação: o descobrimento, a loucura, o sexo, as festas, depois a traição, a solidão, etc. O álbum percorre esse ciclo, não só através das letras, mas também através do tempo e das harmonias. É um disco conceptual.

Passou a infância na América do Sul. Há reflexos dessa experiência no disco?

Nasci na Venezuela e vivi lá até aos 14 anos. Acho que musicalmente a experiência se reflete sobretudo nos contratempos. Vou buscar uma série de coisas incomuns graças a essa cultura. A minha formação musical começou lá, fiz parte do que é conhecido como "movimento de orquestras da Venezuela". São orquestras sinfónicas que existem nas cidades e onde se ensinam os miúdos a ler música e a tocar vários instrumentos. Eu fui um deles, comecei na percussão aos 11 anos. São grupos com uma grande riqueza rítmica e acho que essa influência está presente no disco.

As canções cruzam o rock e a eletrónica. Que tensões é que ainda há a explorar nessa relação?

A nossa interpretação acaba por ser única em cada uma das canções, mesmo que esses recursos já tenham sido utilizados. Ninguém consegue ser completamente original hoje em dia, mas nós tentamos reinventar a mensagem que queremos passar. Não estamos presos a nada.

Fonte: jn.pt

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