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No discurso de despedida, Portas defende que Portugal não deve “substituir” Angola

12 de Março de 2016 14:31
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O líder do CDS-PP, Paulo Portas, realçou a importância de Angola na diplomacia portuguesa e defendeu que Portugal “não está em condições de substituir” aquela antiga colónia na política externa. Uma palavra “politicamente incorrecta”, como o próprio admitiu, no discurso de despedida da liderança do partido.

“Com a autoridade que tem quem trabalhou muito, Portugal não está em condições de substituir Angola na política externa, pelo número de portugueses que lá vivem, pelas duas mil empresas que estão em Angola e que merecem a nossa protecção, pela inter-penetração das suas economias, apelo a todos aos órgãos de soberania para terem isto presente”, declarou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros no seu último discurso no XXVI congresso do CDS-PP. A mensagem é deixada na hora da despedida e também dias depois da tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, que apenas convidou o Presidente de Moçambique para estar presente na cerimónia. Angola já veio dizer que não foi convidada.

Portas referiu a “tendência para a judicialização” das relações entre Portugal e Angola, considerando que “isso seria um caminho sem retorno”. O antigo chefe da diplomacia portuguesa lembrou ainda que o “lugar que Portugal deixar de ocupar em Angola será ocupado por outros países”.

O ainda líder do CDS deixou ainda fortes críticas ao Banco de Portugal. “Continua a falhar. Eu acho que a resolução é melhor para os contribuintes do que a nacionalização. Mas é preciso acrescentar, com a naturalidade de quem está a expor o problema, que o Banco de Portugal não tem conseguido instalar competências e capacidades transaccionais que o habilitem a vender bancos que é uma das suas tarefas recentes. E continuem a ter falhas significativas na supervisão”, afirmou. Portas justificou ter aceite, enquanto vice-primeiro-ministro, a recondução do governador, Carlos Costa, por estar em curso da venda do Novo Banco, o que ainda não foi concretizado.

Num discurso emocionado de despedida de 16 anos de liderança do partido, Paulo Portas começou por elogiar o processo de sucessão. “Uma transição ordenada mas sem quebra de espontaneidade, uma sucessão natural”, disse, referindo-se ao ambiente que se respira como “uma espécie de pax centrista”. O partido deve discutir o que vai fazer daqui para a frente, defendeu, deixando um alerta para quem está incomodado com a renovação que a futura líder está a promover nos órgãos do partido: “Não percam demasiado tempo a discutir o lugar de cada um”.

Sem revelar o que vai fazer na sua vida profissional, Portas gracejou, pedindo para não lhe perguntarem o que vai fazer daqui a “dez anos” (numa alusão à Presidência da República). “Qualquer especulação” sobre o seu futuro com mais de seis meses “é no mínimo um atrevimento”, disse, deixando uma palavra para a sua sucessora, Assunção Cristas, dizendo que há uma expressão inglesa que a define: “A safe pair of hands. É exactamente aquilo que muitos portugueses esperam de ti. Que sejas um par de mãos seguras a tratar de Portugal”.

O antigo vice-primeiro-ministro percorreu os últimos anos de governação, com o PSD, e referiu-se aos riscos que pode trazer a “gerigonça”. E a esse propósito lembrou o abanão que levou o voto útil. “Há centenas de milhar de portugueses que gostam mais das ideias do CDS, dos quadros, mas que nos últimos dias de uma campanha eleitoral, deixam a sua primeira escolha e emigram para segunda escolha. Com medo que o PS ganhe ao PSD. Esse medo deixou de ter razão de ser. Como sabemos o primeiro-ministro não ganhou as eleições. O que conta não é o partido que fica em primeiro luar, mas os partidos que conseguem formar maioria. Os deputados que o CDS consegue eleger fazem a diferença”, afirmou, admitindo que a “geringonça venha a ser vítima da sua própria medicina”.

No final da intervenção, em que Paulo Portas não conseguiu evitar as lágrimas, o ainda líder foi rodeado pelos dirigentes que estavam na mesa para o cumprimentar. Portas não disse um "até já", mas sim um "até amanhã", já que ainda irá exercer o direito de voto para a eleição dos órgãos do partido.

Fonte: publico.pt

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