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Princesa do Dubai desaparecida terá planeado fuga durante sete anos

4 de Dezembro de 2018 22:48
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Princesa do Dubai desaparecida terá planeado fuga durante sete anos

Sheikha Latifa bint Mohammed al-Maktoum, filha do emir do Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos que está desaparecida desde março, terá planeado a própria fuga durante sete anos, segundo revelaram recentemente os seus amigos próximos. A princesa do Dubai via esta cidade como uma "prisão dourada" onde as mulheres "não são tratadas como seres humanos" e chegou a acusar o pai de "matar para proteger a reputação".

No dia 11 de março foi tornado público um vídeo de 39 minutos gravado por Latifa antes da fuga e que apenas deveria ser divulgado caso o plano da princesa falhasse. Na gravação, Latifa explica as circunstâncias da sua decisão, denunciando o pai por maus tratos.

“Tudo o que importa ao meu pai é a sua reputação”, afirmou a princesa. “Ele mata pessoas para proteger a própria imagem, só quer saber dele mesmo e do seu ego”.

“Estou a fazer este vídeo pois pode ser o último que faço. Muito em breve vou partir e não sei bem como vai acabar, mas tenho 99 por cento de certeza de que irá resultar”, continuou. “Se estiverem a ver este vídeo, não é bom sinal. Significa que estou morta, ou que estou numa situação muito, muito, muito má”.

Explicou também que essa experiência levou a que, nesta segunda tentativa de fuga, o plano fosse elaborado mais cuidadosamente.

De acordo com alguns dos seus amigos mais próximos, a princesa planeou a fuga durante sete anos. Latifa é a segunda das filhas do primeiro-ministro dos Emirados Árabes a tentar fugir do Dubai, cidade que descreveu como uma “prisão dourada”.

A primeira parte do plano foi colocada em prática a 24 de fevereiro, quando a princesa Latifa e a sua amiga finlandesa Tiina Jauhiainen se deslocaram de carro até Omã, país vizinho dos Emirados Árabes Unidos. Lá dirigiram-se ao mar e, em jet skis, foram ao encontro do iate do empresário francês e antigo oficial da Marinha Hervé Jaubert.

Latifa conhecia o empresário desde 2011, quando o contactou ao saber que também ele já tinha fugido do Dubai, de barco, após problemas com as autoridades.

Num documentário realizado recentemente pela estação britânica BBC, Jaubert contou que, ao receber o primeiro e-mail de Latifa, receou que se tratasse de uma armadilha. Depois, acabou por acreditar na identidade da princesa e passaram a conversar com frequência, apesar de só se terem conhecido pessoalmente em 2018.

“Fui maltratada e oprimida toda a minha vida”, escreveu Latifa num dos e-mails a Jaubert. “As mulheres não são tratadas como seres humanos. O meu pai não pode continuar a fazer o que tem feito a todas nós”, acrescentou.

Ainda em fevereiro, dois dias depois da fuga, a princesa contactou a partir do iate a organização sem fins lucrativos Detained in Dubai, que dá apoio legal a cidadãos estrangeiros detidos na cidade árabe, para notificar a advogada Radha Stirling da sua partida.

Jauhiainen, que participou no documentário da BBC, contou que a princesa contactou também meios de comunicação social com a intenção de tornar o caso público e, assim, obter maior proteção.

“Ela enviou e-mails a jornalistas mas ninguém lhe respondeu”, revelou Jauhiainen. “Ninguém parecia acreditar, e ela ficou desesperada e triste pois podiam ir atrás dela a qualquer momento e ninguém a ajudava”.

A 4 de março, o iate que levava a bordo Latifa, Jauhiainen e Jaubert, assim como três membros da tripulação, perdeu o sinal GPS, sendo dado como desaparecido no Oceano Índico, já perto do Estado indiano de Goa.

De acordo com os amigos da princesa, o iate terá sido invadido e Latifa capturada, não tendo voltado a ser vista desde então. Outras testemunhas afirmam ter visto Latifa, de 32 anos, a ser levada por militares armados a cerca de 48 quilómetros da costa da Índia.

No final de março, o sinal do iate ficou novamente ativo e o empresário francês e restante tripulação foram localizados no Sri Lanka. Jauhiainen foi encontrada já na Finlândia, para onde voou pela companhia aérea Emirates. Apenas continuou por descobrir o paradeiro da princesa do Dubai.

“Ela disse que preferia ser morta no barco do que voltar ao Dubai”, disse o francês Hervé. “Nem sequer sei onde ela está. Estou muito preocupado”.

Fonte: rtp.pt

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