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Restauro de escultura de São Jorge causa controvérsia em Espanha

27 de Junho de 2018 0:12
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A Associação de Conservadores e Restauradores de Espanha (ACRE) vai pôr uma ação judicial contra os responsáveis pela "desgraçada intervenção" sobre uma imagem em madeira policromada do século XVI, em Estella, na região de Navarra.

O presidente da ACRE, Fernando Carrera, em declarações à agência Efe, disse que a intervenção sobre a escultura em madeira de São Jorge, na Igreja de São Miguel, em Estella, a 50 quilómetros de Pamplona, resultou "numa ruína do património cultural navarro".

Para Fernando Carrera, esta era "uma obra de grande interesse e relevância patrimonial", mas que acabou desfeita, depois de o pároco local ter entregado o seu restauro uma oficina de artesãos da localidade.

As cores uniformes aplicadas sobre a madeira, em particular sobre o rosto de São Jorge, causaram a indignação entre a população, um eco que chegou à imprensa internacional, com o jornal "The New York Times" a perguntar se se tratava da estátua de São Jorge ou do herói de banda desenhada da série Tintin, de Hergé.

O jornal britânico "The Telegraph" recordou, por seu turno, o mau resultado de uma intervenção feita, em 2013, sobre o fresco "Ecce Homo", numa igreja em Borja, na província de Saragoça, na comunidade vizinha de Aragão.

A denúncia da intervenção em Estella, chegou à ACRE através de um ateliê profissional de restauro de Pamplona, que, por sua vez, encontrou as primeiras imagens, em partilhas nas redes sociais, com origem nos próprios responsáveis pelo restauro.

Trata-se de "um caso muito sério", porque este tipo de obras de arte são "uma herança, um património que pertence a todos e a todos compete a sua proteção", disse Carrera à Efe.

Este caso vem reforçar os argumentos dos restauradores espanhóis, que reclamam voz ativa na legislação do país, no domínio do património cultural.

Para Carrera o que aconteceu revela "incumprimento de uma norma existente" e, ao mesmo tempo, demonstra que se impõe "uma maior regulamentação da norma, pois esta não exige que estes projetos sejam assinados por um especialista em conservação e restauro", e acrescentou: "A norma é boa, mas incompleta".

O presidente da ACRE também citou o caso do "Ecce Homo", de Borja, cujo restauro foi feito por uma paroquiana, sem qualquer acreditação nem conhecimentos suficientes, e que causou, igualmente, a indignação e até a troça pelo resultado do restauro, tendo, todavia, a partir deste acontecimento, "a sociedade ficado um pouco mais consciente".

"Por isso não vamos deixar que isto se torne numa outra anedota", afirmou.

O Governo Autónomo de Navarra, por seu turno, está a investigar a autoria e circunstâncias que levaram ao restauro da peça, segundo disse à Efe o diretor do Serviço de Património, Carlos Martínez �lava, assegurando que não houve conhecimento prévio da ação, como é obrigatório.

"Todas as ações sobre bens que se encontram referenciados no Registro Cultural y de Patrimonio de Navarra', têm de apresentar um projeto prévio e temos de dar o respetivo visto", disse, negando que tenha sido o caso em Estella.

O responsável do Governo de Pamplona disse que a escultura em madeira policromada, tardogótica, se encontrava no exterior da igreja, e que "poderia indicar uma certa falta de limpeza", mas tem "a impressão de que a atuação foi um tanto excessiva".

Apesar dos danos sofridos, o responsável considerou que a escultura "pode ser recuperável, mas o processo é dispendioso e levará mais tempo do que poderia ter sido uma intervenção profissional", estando a ser investigado o alcance dos danos sobre a imagem de São Jorge.

Fonte: jn.pt

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