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“Nós não somos robôs”

25 de Novembro de 2018 7:26
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Trabalhadores da Amazon na Europa aproveitaram a azáfama da Black Friday para reivindicar melhores condições de trabalho.

A Black Friday pode ser a altura certa para comprar produtos mais baratos – mas também é a altura certa para os trabalhadores da Amazon organizarem protestos contra o que, há anos, dizem ser condições de trabalho extenuantes.

Na Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido, os trabalhadores dos armazéns da Amazon fizeram paralisações e greves. “O que queremos dizer é ‘Jeff Bezos, você é o homem mais rico do mundo, tem a fortuna e a capacidade para assegurar que os seus trabalhadores são tratados com respeito e dignidade. Enquanto homem mais rico do mundo, tem preferido gastar o dinheiro em viagens espaciais, em vez de nas pessoas que criam a sua fortuna”, explicou um dos funcionários à agência Bloomberg. Era uma referência à Blue Origin, a empresa de foguetões de Bezos, com a qual o multimilionário acalenta o sonho de impulsionar o turismo espacial e de criar zonas industriais na órbita da Terra.

Já nos EUA, onde os trabalhadores da Amazon não são sindicalizados, foi esta semana notícia que um pequeno grupo de funcionários – muitos dos quais muçulmanos de origem somali – se organizaram para protestar. Em causa estava o facto de a empresa os deixar fazer pausas para rezar, cumprindo assim a lei. Mas obrigava-os a acelerar o ritmo de embalamento de produtos para que chegassem à meta de 230 produtos por hora.

As exigências de trabalho nos centros da Amazon são conhecidas há muito – pelo menos desde que um jornalista da BBC, como parte de uma investigação, conseguiu um emprego num destes armazéns e narrou como as tarefas são controladas ao segundo, com os funcionários a empurrarem carrinhos pelos corredores fora, sempre em contra-relógio. Há armazéns mais modernos, em que os funcionários já não andam pelo meio dos corredores. Em vez disso, robôs levantam as prateleiras e levam-nas ao “colega” humano, que retira o produto e o embala.

Há algum tempo, a Amazon patenteou uma pulseira electrónica que permite a um sistema informático saber o ponto exacto onde o trabalhador tem a mão e que é capaz de vibrar para indicar ao funcionário a direcção certa para chegar a um determinado item. Em Fevereiro, reagindo a notícias, a empresa disse que não tinha planos para usar a patente.

Mesmo na sede da Amazon, em Seattle, nos EUA, o ambiente já foi descrito por antigos funcionários como um cenário de darwinismo empresarial. A imprensa americana relatou uma cultura de competição cerrada e de incentivo à denúncia de colegas menos produtivos, com o objectivo de identificar e reter os funcionários mais eficientes. Em 2014, a Confederação Sindical Internacional considerou Bezos o pior patrão do mundo.

Nesta Black Friday, os trabalhadores na Europa arranjaram um slogan de protesto, que exibiram em faixas: “Nós não somos robôs”.

Fonte: publico.pt

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