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Talibãs iniciam a “ofensiva da Primavera”

12 de Abril de 2016 12:06
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Talibãs iniciam a “ofensiva da Primavera”

Passado o rigor do inverno, os talibãs prometem mais um “verão quente” no Afeganistão. A ofensiva da primavera começou esta terça-feira, às cinco da manhã

É um ritual que se tem repetido nos últimos 15 anos no Afeganistão. Num email enviado a vários órgãos de informação, os talibãs anunciaram, esta terça-feira, a intensificação dos combates após a pausa de inverno. A “ofensiva da primavera” começou às cinco da manhã locais (mais três horas e meia do que em Portugal continental) e passará por ataques em grande escala, apoiados por ataques suicidas e assassínios de comandantes inimigos em centros urbanos.

A campanha — designada “Operação Omari” em homenagem a Mullah Omar, o fundador do movimento que morreu há três anos e cuja morte os “estudantes” encobriram durante dois anos — empregará “todos os meios à nossa disposição para atolar o inimigo numa guerra de desgaste que diminuirá a moral dos invasores estrangeiros e das suas milícias armadas internas”.

A declaração de guerra talibã surge três dias após uma visita não anunciada do secretário de Estado norte-americano ao Afeganistão. John Kerry reafirmou o apoio dos EUA ao Governo de unidade nacional e apelou ao Presidente Ashraf Ghani e ao chefe do Executivo Abdullah Abdullah que coloquem de lado as rivalidades e trabalhem em conjunto.

Quase dois anos após as disputadas eleições presidenciais, de que resultou uma espécie de poder partilhado entre os dois principais candidatos — solução mediada pelos EUA —, Ashraf e Abdullah ainda não chegaram a acordo em relação ao nome para ministro da Defesa, por exemplo.

Os talibãs têm-se aproveitado das fragilidades políticas do país. Segundo a NATO, controlam 6% do território e ameaçam um terço.

Na segunda-feira, em Jalalabad (leste), um talibã suicida fez-se explodir numa moto, matando pelo menos 12 recrutas do exército que seguiam num autocarro. Horas antes, num ataque semelhante em Cabul, morreram duas pessoas.

A rebelião talibã intensificou-se após a retirada das tropas de combate internacionais, no final de 2014, que expôs a falta de preparação das forças de segurança afegãs, que passaram a evidenciar elevadas baixas e altas taxas de deserção. Até ao final deste ano, os EUA querem reduzir o seu contingente de 9800 para 5500 militares.

Em 2015, já sob a liderança de Mullah Akhtar Mansur, os talibãs reconquistaram, durante 15 dias, a cidade de Kunduz (norte), naquela que foi o maior feito militar desde o fim do regime talibã, em 2001.

Na segunda-feira, a CNN noticiou que a estratégica província de Helmand (sul), “pela qual milhares de soldados da NATO morreram a lutar, está mais próxima do que nunca de cair para os talibãs”.

A luta talibã tem-se radicalizado graças também à crescente presença de militantes afetos ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh) no Afeganistão. “Ele existe, floresceu e está a expandir-se. Atua silenciosamente e reune força para ações decisivas”, afirmou, no início de abril, Zamir Kabulov, enviado presidencial da Rússia para o Afeganistão, em entrevista ao jornal “Izvestiya”. Para este responsável russo, o Daesh quer usar o país como “trampolim para uma expansão mais ampla”.

Fonte: expresso.sapo.pt

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