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Trump anuncia fim do "acordo unilateral" de Obama com Cuba

16 de Junho de 2017 23:07
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Trump anuncia fim do "acordo unilateral" de Obama com Cuba

O presidente norte-americano, Donald Trump, cancelou ontem o acordo que considerou "unilateral" de abertura com Cuba, assinado pelo predecessor Barack Obama. Entre as medidas incluídas na ordem executiva que assinou está a aplicação mais rigorosa da proibição de os cidadãos dos EUA viajarem por turismo até à ilha, assim como um travão aos negócios com as empresas controladas pelos militares cubanos e a garantia que não será levantado o embargo. "Conseguiremos uma Cuba livre", disse num discurso em Miami.

"Os lucros dos investimentos e do turismo fluem diretamente para os militares", disse o presidente, argumentando que não quer que "os dólares norte-americanos apoiem o monopólio militar que explora e abusa dos cidadãos de Cuba". O principal alvo é o Grupo de Administração Empresarial SA (GAESA), um império económico do exército cubano que é gerido pelo general Luis Alberto Rodríguez López--Calleja, genro do presidente Raúl Castro. Entre as cerca de 60 empresas do grupo estão, por exemplo, a Almacenes Universales (que gere o porto de Mariel) ou a Habaguanex (dona dos hotéis, lojas e restaurantes de Havana Velha, entre outros). No total, segundo a Reuters, a GAESA controla entre 40% e 60% das receitas em moeda estrangeira.

Mas, face à pressão de várias empresas norte-americanas, companhias aéreas e de cruzeiro estão isentas desta situação. Contudo, ainda poderão ser afetadas com a diminuição do número de passageiros. Segundo as contas cubanas, até final de maio tinham visitado a ilha 285 mil cidadãos norte-americanos, tantos quantos os que visitaram Cuba durante todo o ano de 2016 (o que tinha representado um crescimento de 75% em relação a 2015), e calculava-se que no final de 2017 o número pudesse superar os 400 mil.

Apesar de os norte-americanos estarem proibidos de fazer turismo na ilha, Obama tinha autorizado viagens individuais com propósitos educacionais - que eram muitas vezes usadas como desculpa. Agora Trump proíbe-as. Cubano--americanos podem, contudo, continuar a viajar livremente, assim como a enviar remessas.

Ontem, num discurso cheio de ataques ao governo cubano que muitos consideraram um retorno a uma retórica de Guerra Fria, Trump disse que os EUA não vão ficar "mais em silêncio face à opressão comunista". Só quando Havana der "passos concretos" é que os EUA estão dispostos a renegociar um acordo melhor para ambos os povos. Entre esses passos estão a libertação dos presos políticos, a legalização dos partidos e a celebração de eleições livres com supervisão internacional. Raúl Castro já disse que deixará o poder em fevereiro, no fim do segundo mandato.

O presidente falou ainda dos "crimes do regime de Castro" e do "sofrimento dos cubanos durante seis décadas". Críticos apressaram-se a lembrar que os direitos humanos não estiveram na agenda de Trump no seu encontro com o líder chinês, Xi Jinping, ou na viagem à Arábia Saudita.

Fonte: dn.pt

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